Marta Suplicy defende Alexandre Padilha


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Senadora licenciada e ministra da Cultura abre mão de candidatura neste ano e defende Alexandre Padilha para governo de São Paulo
Senadora licenciada e ministra da Cultura abre mão de candidatura neste ano e defende Alexandre Padilha para governo de São Paulo
O longo período de abstinência de Franca em receber visita de autoridades do alto escalão do governo federal foi quebrado quarta-feira passada com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy. Ela veio à cidade para apresentar o projeto Vale-Cultura e se reuniu com o prefeito Alexandre Ferreira, do rival PSDB, para o ato de assinatura de adesão do município ao Sistema Nacional de Cultura. No intervalo entre as duas agendas, almoçou com um grupo de 80 pessoas, formado por petistas locais, prefeitos e vereadores da região.
 
Filiada ao PT desde 22 de setembro de 1981, Marta, que é psicóloga e ex-apresentadora de TV, foi deputada federal, prefeita de São Paulo e ministra do Turismo. Destacou-se pela defesa de projetos voltados ao direito da mulher e dos homossexuais. Nas eleições de 2010, elegeu-se senadora com 8,3 milhões de votos, a segunda mais votada do País. Está licenciada do Senado Federal desde a nomeação para ministra da Cultura em 2012. 
 
Marta Suplicy falou com o Comércio durante a entrevista coletiva concedida na Câmara e também em conversa reservada após o churrasco com os petistas da região. A ministra comentou seus projetos no ministério, as chances do PT nas próximas eleições e assuntos que ainda geram desconforto. Acompanhe a entrevista.
 
Qual a importância do Vale-Cultura que a senhora veio anunciar em Franca?
É extremamente importante porque vai possibilitar às pessoas que ganham até cinco salários mínimos e que estiverem na adesão de sua empresa ter um cartão para gastar em revista, jornal, livro, cinema, teatro e comprar instrumento musical. É uma possibilidade de quem tem muita vontade de poder consumir cultura, de ter a chance. A gente sabe que os orçamentos são pequenos e que não sobra muito. As empresas menores, que fazem declaração por lucro presumido ou Simples, terão o incentivo de poder dar o cartão ao trabalhador e não ser onerado como salário. Não tem nenhum imposto trabalhista. Ao mesmo tempo em que o trabalhador poderá usufruir de mais cultura, a produção cultural será incentivada, pois entrará mais dinheiro na cidade. Fiquei contente de ter vindo a Franca na véspera do acordo trabalhista dos sapateiros. Espero que possamos sensibilizar o lado patronal e os trabalhadores a aderirem a esse projeto também.
 
O valor de R$ 50 é suficiente para o trabalhador ter cultura?
Não colocaria desta forma, porque cultura você pode fazer até sem R$ 50, mas é o começo de poder ter acesso ao que o orçamento do trabalhador não permite. Tenho ouvido muitos depoimentos de pessoas que gostariam de comprar um livro. Uma funcionária do próprio ministério disse que vai usar o cartão para ir a ‘teatro de rico’. Ela gostaria de assistir à uma peça que está passando em Brasília com a Regina Duarte, que custa R$ 60. Fizemos uma pesquisa pequena, em Brasília e São Paulo, e a maioria das pessoas, quase unânime, disse que onde quer gastar e sonham é com teatro. 
 
O município de Franca aderiu ao Sistema Nacional de Cultura. Qual avaliação a senhora faz da adesão e dos resultados desse programa?
O programa é muito importante, é estruturante para a cultura, como é o SUS para a saúde. Quando todos tiveram feito a adesão, vamos poder fazer os repasses para os Estados e municípios. Vai dar uma espinha para a cultura. O sistema é uma coisa importante que conseguimos fazer no ministério. Ainda não está em funcionamento. Uma coisa é a adesão. Depois, é preciso fazer uma série de ações, inclusive, criar um conselho da sociedade civil e da Prefeitura, criar um plano de cultura para a cidade. O projeto é muito importante e vai fazer a cultura bombar.
 
Como a senhora avalia as chances de reeleição da presidente Dilma Rousseff?
A batalha já começou, é bastante árdua. Dilma fez um trabalho muito bom, num momento difícil, de crise financeira, enfrentando situações adversas e conseguiu superar. Ela está com uma marca fantástica na área social, com o implemento do Bolsa Família, que o Lula começou. A busca ativa que o governo Dilma fez, por aquela pessoa tão abandonada, que não tinha acesso aos direitos básicos, praticamente, zerou o brasileiro que não comia três vezes ao dia, que era a grande bandeira do Partido dos Trabalhadores. Agora, é o momento de outro salto, é hora de alimentar a alma. O Vale- Cultura é isto. O trabalhador está comendo. Agora, ele quer outra coisa. As pessoas querem mais, como nesta história dos jovens, que querem um boné, um tênis da moda, um celular de última geração. Ele quer consumir mais e temos de levá-lo a outros tipos de consumo também.
 
A senhora falou sobre o comportamento dos jovens. Como psicóloga, qual sua avaliação sobre os rolezinhos?
Acho que foi uma expressão de determinado momento e que tende, agora, a cair uma vez que as férias escolares acabaram. A turma verdadeira dos rolezinhos, não é do jovem que vai lá para badernar, vandalizar, quebrar coisas. São jovens que já frequentavam shoppings e que têm espaço em suas comunidades, mas eles querem sair de lá, querem ir a outros lugares. O ato de ir a shopping está muito ligado à ideia de ‘eu estou bem, tenho coisas que nunca imaginei que tivesse. Quero entrar no shopping, me mostrar, paquerar e beijar’. Temos que entender que esta transformação é muito nova no Brasil. As pessoas não sabem lidar com isto. Ao ler que dois mil jovens vão entrar no shopping, o dono pira. A falta de experiência dos shoppings em lidar com situações deste tipo, aliada com a truculência da polícia, que não é treinada para se portar, levou à um agravamento de uma situação absolutamente sem problema. O que é diferente do vandalismo. Quando o nosso ministério fez a Conferência da Cultura, em novembro, pus em meu discurso que temos de chegar mais perto desta juventude. Precisamos ouvi-los e saber o que eles querem. Em março vamos fazer um encontro, que chamaremos de Usina da Juventude, para trazer 70 jovens de todo o Brasil para escutá-los e colher sugestões. Precisamos nos adaptar à nova realidade e ver como isto afeta os movimentos sociais e a maior capacidade do povo brasileiro de ter acesso.
 
Os manifestos que sacudiram o País em junho do ano passado podem voltar com a mesma força e prejudicar a Copa do Mundo de 2014, que atrairá milhares de pessoas ao Brasil?
Tudo pode, mas não creio que (os baderneiros) vão ter muito espaço. O povo brasileiro vai dar às mãos para fazer a Copa funcionar. Na hora que você começar a ver as televisões bombarem, as campanhas publicitárias, que já começaram... gente, é o brasileiro na rua junto, cantando, torcendo para o seu time, pelo Brasil. Vão ser escorraçados estes black blocs aí.
 
Em 2007, quando o caos tomava conta dos aeroportos, a senhora, então ministra do Turismo, incentivou os turistas a viajarem e disse: ‘relaxa e goza’. A dica vale também, agora, para os torcedores que vierem ao País assistir à Copa e que, eventualmente, encontrem problemas nos aeroportos?
Sem resposta para você. Ninguém dá uma entrevista, como eu estou dando, para ouvir uma bobagem desta..
 
Não é bobagem. A pergunta sobre um comentário feito pela senhora, que teve grande repercussão, é pertinente, não foi ofensiva e não teve intenção de constrangê-la...
Constrangeu. Eu pedi desculpa ao povo brasileiro. Você não escutou provavelmente. Acho que o brasileiro vai receber muito bem (os turistas).
 
Qual avaliação que a senhora faz sobre a prisão de integrantes do PT condenados no processo do mensalão?
Acho que a história vai colocar as coisas no lugar. O tempo dará resposta a todos estes acontecimentos.
 
A senhora teve o nome cogitado para ser candidata a governadora. Agora, tem percorrido o País para divulgar o Vale-Cultura e aproveitado para participar de reuniões políticas. Disputará as eleições de outubro?
Sou senadora até janeiro de 2019. Estou ministra. Quando o Padilha (Alexandre, pré-candidato ao governo de São Paulo) falou que queria ser candidato, fui a maior entusiasta. Liguei para ele e disse: ‘estamos juntos’. Acho o Padilha um candidato fantástico, é uma pessoa fácil de lidar e habilidosa. Acho que desta vez vai. Estou muito animada com nosso candidato, ele tem o perfil excepcional para o desempenho deste cargo. O Padilha tem experiência e é sensível às questões da população. Acho que é a grande chance de São Paulo dar um salto e se recolocar como grande Estado que é, e que em perdendo este espaço pela má-condução da economia paulista e por toda situação de violência que a gente vê no Brasil, principalmente no Estado de São Paulo. Agora, até a própria família do governador é acossada por bandidos. Não há segurança para ninguém e, isto já vem há muito tempo, não é nenhuma novidade. Desde que a primeira crise do PCC aconteceu em São Paulo, não houve uma resposta à altura do governo do Estado. Tenho impressão que está na hora da gente colocar gente nova, que tenha soluções novas, competência novas e apoios novos.

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