O cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, está internado em estado grave em um hospital do Rio de Janeiro. Ele estava trabalhando anteontem, captando imagens de um protesto contra o aumento do transporte público no Rio de Janeiro, quando foi atingido por um rojão. O artefato foi claramente disparado por um dos manifestantes, como mostraram imagens da Rede Globo, ontem. Santiago, que não tinha nada com a baderna, sofreu afundamento do crânio após a explosão que o atingiu.
Embora os diversos noticiários do dia de ontem tenham externado sua indignação contra o ato, pois se trata de um profissional da imprensa que estava trabalhando, poucas vozes se levantaram contra a ação selvagem e covarde. O cinegrafista recebeu o artefato explosivo pelas costas. Tratava-se de um tipo de rojão que, depois de acendido, deve ser direcionado para o alto e nunca para o nível da rua, como ocorreu. Quem vai para uma manifestação portando um instrumento do tipo não está a fim de apenas protestar. Parte para o confronto e para a baderna, o que ocorreu quando integrantes do movimento black blocs invadiram a Estação Central do Brasil, subiram nas catracas e confrontaram os policiais que estavam ali para garantir a segurança dos frequentadores.
Onde estão agora os que, utilizando-se de sua condição de figuras públicas, defenderam abertamente os black blocs e, por extensão, sua selvageria? As manifestações mais recentes acabaram todas em vandalismo e sempre se discute sobre a repressão policial. Defende-se a liberdade de manifestantes presos, sem se levar em conta o que foi feito durante os protestos. Não estamos aqui para defender um lado ou outro, mas sim para tentar ampliar o debate em torno de ações violentas que, agora, mandaram um profissional para o hospital, onde sua vida está em risco.
Não há justificativa possível para a violência. Na noite de quinta-feira o protesto seguia tranquilo até a invasão da Central do Brasil. O confronto, inevitável (já que o tumulto tomou conta do local), deixou os limites da estação e chegou à rua, onde o cinegrafista foi atingido. Foi necessário haver uma vítima, que não participava da manifestação, para que autoridades, em diversos níveis, condenassem a ação. Caso providências tivessem sido tomadas de forma preventiva, talvez esta notícia não estivesse dominando os noticiários em todo o País.
Quando os agentes de segurança se impõem ostensivamente, revistando mochilas, bolsas e sacolas, muita gente reclama da truculência. Mas quando ela inexiste e leva a fatos como o de anteontem, cobra-se justamente esta ação. É preciso entender que a polícia está ali fazendo o seu trabalho, agindo de acordo com as atribuições para as quais é paga. Por isso, deve-se antes de tudo repensar a forma como as manifestações estão sendo organizadas e realizadas. Desde que sejam pacíficas, nada contra. O brasileiro tem liberdade para se manifestar, mas sem violência. A partir do momento em que patrimônios e integridade física dos que não têm nada com o movimento são ameaçados, as forças de segurança precisam e devem intervir. Ir contra isso é improdutivo para o debate e totalmente contraproducente.
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