Sapateiros rejeitam proposta de reajuste


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Em assembleia, na praça da Estação, sapateiros recusaram proposta resultante de um acordo feito entre os presidentes dos sindicatos patronal e dos trabalhadores
Em assembleia, na praça da Estação, sapateiros recusaram proposta resultante de um acordo feito entre os presidentes dos sindicatos patronal e dos trabalhadores
Era para ser uma assembleia tranquila. O acordo já estava acertado previamente entre as diretorias do Sindicato dos Sapateiros e do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). O índice de reajuste para a categoria seria maior que a inflação. Mas não foi bem assim. Os cerca de 100 sapateiros que compareceram à assembleia da categoria no final da tarde de ontem resolveram “melar” o acordo prévio e disseram não à proposta de 8,1% de aumento e um piso salarial de R$ 900. Por pouco não decretaram greve geral da categoria. 
 
A assembleia foi comandada pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido. Ele já havia se reunido com a direção do Sindifranca e concordado com a proposta apresentada pelos industriais. Na assembleia, começou explicando à categoria que a oferta feita pelos empresários era excelente. “Foi o melhor acordo que conseguimos. O índice oferecido representa um aumento real e o piso está se recuperando da defasagem. Vamos aceitar”. 
 
Em seguida, Fabio colocou a proposta em votação. Alguns poucos sapateiros aceitaram. Mesmo com a maioria sem se manifestar, o presidente considerou a proposta aprovada. Foi quando um grupo se revoltou. “Aprovada como, Fábio? Conta direito. Não teve maioria”. 
 
Bastante irritado e nervoso, pegou o microfone e pressionou. “O que vocês querem é tumultuar. Vocês querem o que? Que eu decrete greve. Não tem como fazermos greve agora. Não temos nem gente pra isso. Essa assembleia não é uma aventura”. 
 
A reação só irritou ainda mais os sapateiros que começaram a pedir uma nova votação para o reajuste de 8,1%. Na nova rodada, mais uma vez, o percentual foi rejeitado. Fábio ainda argumentou, mas ouviu dos sapateiros que eles não iriam aprovar nenhum reajuste menor que os 9% obtidos no ano passado. 
 
Sem apoio, Fábio decidiu recuar e prometeu levar a contraproposta dos sapateiros para o Sindifranca. “Vou falar para eles (os industriais) que a categoria não aceita menos de 9% de aumento”. Uma reunião deve ser marcada para a segunda-feira. 
 
Além do reajuste, os sapateiros ainda querem uma participação nos lucros e resultados equivalente a 100 horas trabalhadas. “Vamos discutir tudo isso”, disse o presidente. 
 
Uma nova assembleia da categoria foi marcada para a próxima quarta-feira. “É importante que todos compareçam para que a decisão esteja realmente de acordo com o que pensa a maioria dos trabalhadores”. 
 
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, foi procurado para comentar o novo índice, mas não foi encontrado. 

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