Alexandre já é uma ilha


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O prefeito Alexandre Ferreira, enfim, conseguiu alcançar unanimidade, só que sob viés negativo. Hoje não encontra, nem entre seus correligionários do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), quem sirva de porta-voz às suas demandas e solicitações junto ao legislativo. Ou que o defenda de acusações que porventura venham à baila, o que é normal no universo da democracia, onde vige, para o bem, o contraditório. Chegou ao fundo do poço em termos de sustentação apenas treze meses após a sua posse. É um espanto. Parece que não houve na cidade caso igual desde que Franca alçou status de cidade. Como o Comércio já havia sinalizado em uma de suas edições passadas, ele corria o risco de ficar sozinho. Tornou-se uma ilha, cercado de insatisfação por todos os lados. Tudo por conta do autoritarismo bancado pela própria inexperiência política.
 
Embora tivesse sido alertado durante praticamente todo o seu primeiro ano de mandato, não levou a sério e nem procurou se cercar daqueles que poderiam ajudá-lo a aliar experiência administrativa com algum traquejo político. Antes disso, acabou afastando auxiliares capazes de conseguir virar o jogo a seu favor, como o experiente assessor de comunicação Marcelo Facury, grande conhecedor do xadrez que envolve a administração municipal e que hoje está subaproveitado.
 
Desta vez, depois de perder o seu líder na Câmara Municipal, Adérmis Marini (em razão do episódio envolvendo a compra de um prédio milionário para o armazenamento da merenda escolar), Alexandre Ferreira não conseguiu encontrar qualquer outro vereador que se dispusesse a desempenhar a mesma função. Pior: sem alguém para defendê-lo, a sessão de terça-feira passada do Legislativo tornou-se um verdadeiro massacre ao prefeito, partindo as acusações exatamente dos vereadores aliados que, em tese, deveriam defender sua administração. Apenas o presidente da Câmara, Jepy Pereira (PSDB), ensaiou a defesa do chefe do Executivo, sem qualquer ressonância.
 
A polêmica compra do prédio para guardar a merenda foi um dos motivos da gritaria geral, mas não o único. O descontentamento dos parlamentares abrange outros tópicos. Pelo menos sete vereadores que pertenciam à base aliada de Alexandre reclamaram também do isolamento imposto pelo prefeito aos seus próprios assessores, além de apontarem uma série de problemas verificados na atual administração. Acusando a falta de seriedade do Executivo no trato com o Legislativo, os vereadores exigem que Alexandre Ferreira “melhore a comunicação com a sociedade e a relação com a Câmara”, afirmou Adérmis Marini.
 
O prefeito precisa entender que poder político não se sustenta sem o apoio popular, que ele já perdeu há muito tempo. E sem sustentação na Câmara, corre o risco de ficar “engessado” e entrar na mira do Legislativo. A qualquer deslize, pode até sofrer um processo de “impeachment”. O grande equívoco do prefeito continua perfilado por sua incapacidade de entender seu papel, que ele apequenou desde o primeiro momento ao torná-lo apenas o de gerente de um cargo burocrático, onde liderança e carisma estão rebaixados, pelo menos até agora, ao índice zero. Para reverter a imagem, que já está se cristalizando, a guinada tem de ser de 180 graus.
 
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