Reinado em crise


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A maré não está para peixe. Nuvens negras pairam sobre um determinado palácio da avenida Presidente Vargas. Depois de ser alvo de uma saraivada de críticas de vereadores aliados, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) voltou a apanhar ontem. Desta vez, do deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB), com quem andou de mãos dadas no segundo turno da campanha eleitoral de 2012. O palco foi o mesmo, a sede da Câmara Municipal. O motivo, a “falta de empenho” do prefeito em viabilizar a implantação de uma escola federal de ensino técnico e superior em Franca. “É uma total falta de vontade política”, disse Ubiali. Integrante da Frente Parlamentar em defesa da Cultura, Ubiali acompanhou a visita da ministra da Cultural, Marta Suplicy, à cidade. Pouco antes de a ministra ocupar a tribuna da Câmara para explicar como funciona o Vale-Cultura, o deputado conversou com jornalistas e falou do risco que a cidade corre de perder a escola por questões políticas. Há dois anos, o Instituto Federal de São Paulo, que congrega cursos de ensino técnico e superior, autorizou a instalação de uma unidade em Franca. O problema é que a nova escola não tem um local específico para funcionar, o que acabou suspendo o projeto. Segundo Ubiali, culpa da Prefeitura. “Foi uma luta muito grande colocar Franca no projeto do governo federal, uma conquista relevante, que não se viabiliza por falta de espaço. A área já deveria ter sido cedida, mas o prefeito não demonstra interesse.” Ubiali afirmou que já foi autorizado o número de professores (40), auxiliares (30) e de vagas (300). Segundo o deputado, o prazo já venceu várias vezes e, o que poderia ser o início de uma grande faculdade federal poderá não sair do papel por morosidade do governo municipal. “Cansei de alertar o prefeito. Ultimamente, não temos conversado mais. Ele sabe do problema, insistimos várias vezes e não adianta falar mais. Espero que a população cobre o prefeito.”
 
Bem-vindos, mas nem tanto: Em um fato raro no governo comandado pelos tucanos, Alexandre Ferreira recebeu a ministra Marta Suplicy, do arqui-inimigo PT, para audiência em seu gabinete. Mas só puderam participaram assessores do Ministério. O único petista local que se arriscou ir à Prefeitura, Marcial Inácio, presidente do diretório municipal, aguardou do lado de fora, na recepção.
 
Reduto tucano: A assessoria de Marta Suplicy preparou um relatório para a ministra com dados sobre Franca. A primeira informação destacava que José Serra venceu Dilma Rousseff na cidade nas eleições para presidente da República.
 
Amores roubados: A bruxa continua solta na Câmara, e não é apenas no plenário. Anteontem, Valéria Marson (PSDB) exonerou sua assessora, Ionara Gimenes. O rompimento foi no litigioso e deixou sequelas. “Da mesma maneira que a Valéria disse que foi traída pelo Jépy, eu afirmo que fui traída por ela. Trabalhei de graça na campanha, gastei dinheiro do meu bolso e tive a promessa de emprego caso ela ganhasse a eleição.” Donizete da Farmácia (PSDB) e Claudinei da Rocha (PP) também vão trocar suas assessorias.
 
Chapa quente: Edvaldo Costa, assessor Legislativo da Prefeitura, já viveu dias melhores com os vereadores. E com o prefeito também.
 
Francano desde pequenininho: Marta Suplicy conversou com autoridades na sala da presidência da Câmara e falou das dificuldades de políticos, principalmente mulheres, de terem que se deslocar com frequência. Foi quando se virou para Ubiali e perguntou: “Onde sua mulher mora?”. O deputado olhou para Gilson Pelizaro, sorriu amarelo e respondeu: “Aqui em Franca”.
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
 

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