Um suprimento de crédito — antecipação do poder de compra, na sua acepção mais simples — oferece oportunidade para estudos, experimentações e pesquisas sobre as diferentes etapas e situações nas quais se desdobra a operação. O crédito, pelo volume ou pelos efeitos sobre as atividades dos beneficiários impacta a economia sob diferentes aspectos, e as questões que suscita são amplas. A primeira é da pré-concessão; a segunda, regulação da atividade bancária e política de concessão; a terceira, a finalização da operação, com liquidação, pagamento ouo ‘calote’, inadimplência, cada uma com especificidades e idiossincrasias, como a da política de concessão.
O crédito é poderoso instrumento de política econômica, tanto em termos nacionais como internacionais. O Brasil aprendeu a lição e há alguns anos tenta fazer dele o instrumento do desenvolvimento, outorgando a organismos oficiais a tarefa de facilitar concessão de recursos e estimulando instituições particulares a fazer o mesmo. Dados do Banco Central indicam que o volume das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional vem se ampliando. Em 2008, o montante daquelas operações era de R$ 1.227,3 bilhões e representava 40,5% do PIB. Em dezembro último, o total de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou R$ 2.715 bilhões, após crescimento mensal de 2,4%, acumulando expansão de 14,6% no ano, comparativamente a 16,4% em 2012. A relação crédito/PIB atingiu 56,5% e há espaço para crescer um pouco mais.
É de se perguntar: valeu a pena? Vale lembrar que a inflação em 2013 foi de 5,91% e o crescimento do PIB ficou em torno de 2%. A China, que tem mostrado pouco dinamismo, cresceu 7,7%. Sobra crédito, mas falta política econômica capaz de conduzir ao desenvolvimento, não apenas ao consumismo com preços em elevação.
Vicente P. Oliveira
Economista; FEA-USP
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