Vereadores aliados do governo se rebelam e 'detonam' o prefeito


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Adérmis Marini, que renunciou ao cargo de líder do prefeito, pediu desculpas aos vereadores por rasteira de Alexandre Ferreira
Adérmis Marini, que renunciou ao cargo de líder do prefeito, pediu desculpas aos vereadores por rasteira de Alexandre Ferreira
O governo não conseguiu repor o cargo de líder na Câmara, que ficou vago com a renúncia de Adérmis Marini (PSDB). Sem ninguém para defender Alexandre Ferreira (PSDB), o que se viu na sessão de ontem foi um massacre ao prefeito. Ao contrário do que se possa imaginar, as contundentes críticas não partiram da oposição. O fogo amigo foi disparado por vereadores aliados, o que deixou explícito o processo de isolamento do chefe do Poder Executivo local. A polêmica compra do prédio para guardar a merenda foi um dos motivos, mas não o único. O descontentamento dos parlamentares foi geral.
 
Para surpresa dos próprios vereadores, o discurso mais moderado foi o de Adérmis, que falou pela primeira vez sobre sua saída da liderança após o governo dar rasteira e desapropriar o prédio do Espaço Dom Pedro sem consultar a Câmara, como havia prometido. “A palavra foi empenhada e o projeto não veio. Peço desculpas por ter feito a defesa da proposta. Preciso ter humildade e reconhecer a falha. O governo precisa melhorar a comunicação com a sociedade e a relação com a Câmara”, disse Adérmis.
 
Maior defensor do prefeito, Laercinho (PP) também engrossou o coro dos descontentes. Ele usou os dez minutos a que tinha direito para falar de sua indignação. “Quando o prefeito chamou os vereadores para conversar, a compra do prédio já estava concretizada. Pagou caro e fez um mau negócio.” Laercinho disse que Alexandre está perdendo a credibilidade com os vereadores e que enfrentará dificuldades para governar se não melhorar o relacionamento. “Os secretários e assessores morrem de medo do prefeito. A coisa não anda. Ele precisa ser mais companheiro, caso contrário, não se reelege, nem os vereadores.”
 
Conhecido pela habitual calma, Nirley de Souza (DEM) também perdeu a paciência. “Fui vereador na época do Sidnei Rocha e era diferente. Ele confiava na sua equipe. Os atuais secretários têm medo de fazer alguma coisa sem passar pelo prefeito e perderem o emprego. O Alexandre precisa repensar suas atitudes.” Zezinho Cabeleireiro (PPS) apontou sua metralhadora de críticas para o setor de Saúde. “A coisa está feita. O governo do Estado está pagando as cirurgias eletivas, mas chega na Santa Casa e para, não vai para a frente. Pacientes de câncer estão sofrendo com isso. A revolta é muito grande. O prefeito precisa melhorar a administração.”
 
Josivaldo Bahia (PTB) parabenizou Adérmis por ter deixado a liderança e disse que teria feito o mesmo. “O prefeito não é capaz de elaborar um projeto e vem dizer que vereador precisa trabalhar. Preste atenção, Alexandre. Se não tiver liga, você vai ficar sozinho. Oitenta por cento dos vereadores estão insatisfeitos”, disse ele, para ser corrigido por Valéria Marson (PSDB): “Acho que são 90% de insatisfeitos”.
 
Radaeli (PMDB) afirmou que a cidade está abandonada. O delegado criticou a falta de ações precisas para melhorar o trânsito e ameaçou representar contra a Prefeitura caso aconteça alguma tragédia por culpa do município. “Chega de palpiteiros. Precisamos é de um engenheiro de trânsito.”
 
Não havia um líder e ninguém se dispôs a defender o prefeito. 

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