Pena de morte


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Walcyr Carrasco foi carrasco com as mulheres em Amor à Vida. Condenou a morte só personagens femininas: Luana (Gabriela Duarte), mulher de Bruno (Malvino Salvador); Elenice (Nathalia Rodrigues), enfermeira assassinada pela médica Glauce (Leona Cavalli) que morreu ao ter seus crimes descobertos; Nicole (Marina Ruy Barbosa); Mariah (Lúcia Veríssimo), mãe de Paloma e tia da Aline (Vanessa Giácomo), que morreu eletrocutada; Alejandra (Maria Maya), e Leila (Fernanda Machado), que morreu queimada. As três últimas, vilãs, tinham comparsas homens. Um deles, Thales (Ricardo Tozzi), foi perdoado com direito a final feliz. 
 
A presença feminina reflete a sociedade. Da mesma forma que mocinhas, podem ser vilãs. Apareceram médicas, enfermeiras, vendedoras ambulantes, secretárias, empregadas domésticas, advogadas. Mas será que vilãs precisam morrer? No caso de Aline, precisava ser eletrocutada? 
 
No Brasil, não há pena de morte e a solução encontrada por Carrasco foi cruel. Aline e Félix (Matheus Solano), ambos vilões, foram vítimas das circunstâncias e das criações que tiveram. Por que ele foi perdoado e ela não? Não bastava prendê-la e condená-la? Que mensagem o autor quis passar ao público? Evidentemente, não tenho respostas, mas, como estudiosa das questões femininas, fiquei indignada. Novela é ficção, sem compromisso com a realidade. Mas, se era fuga, outras presas deveriam estar na cerca, mas não, só Aline estava. A moça foi criada pela tia para acabar com César (Antônio Fagundes), que, desta situação, era inocente. Sua ex-mulher, Pilar (Suzana Vieira), era a culpada pela morte da mãe da personagem. A novela entrará na história televisiva por causa do beijo entre Félix e Niko. Pra mim, apenas reproduziu a velha imagem bíblica da mulher — é Eva quem perverte Adão e ambos são expulsos do Paraíso por Deus — que lutamos diariamente para reverter. 
 
Soraia Veloso Cintra
Docente da Universidade Federal de Uberlândia 

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