As denúncias das advogadas da Câmara Taysa Mara Thomazini do Nascimento e Maria Fernanda Bordini Novato, se confirmadas, teriam potencial para causar um verdadeiro estrago na carreira política do presidente da Câmara, vereador Jépy Pereira (PSDB), caso estivéssemos num país minimamente sério. Afinal, as acusações são gravíssimas e, segundo as advogadas, com base em problemas que ocorrem desde 2012. Além disso, as integrantes do departamento jurídico garantem ter até gravações em que Jépy ameaça funcionários que entraram com ação popular contra atos seus considerados ilegais. Tudo precisa ser verificado, mas as denúncias - por si só - já causam repercussão negativa.
O que o brasileiro em geral - e o francano, em particular - exige hoje que seus representantes portem-se de maneira correta e ilibada. Jépy foi eleito vereador, mas, desde sua posse como presidente do Legislativo, tem se notabilizado por se ver envolvido em situações pouco confortáveis e menos ainda recomendáveis a um vereador. Certas ações suas remetem à cartilha daquela velha política que ainda move nomes conhecidos da vida pública nacional. Como Renan Calheiros (senador pelo PMDB) e Henrique Eduardo Alves (deputado pelo mesmo partido), só para citar os presidentes das Casas onde atuam e que enfrentam críticas por utilizar seus cargos em benefício pessoal. E estes são só dois exemplos para mostrar que nossos representantes não entenderam ainda que bem comum está acima do individual.
Jépy tem comportamentos que permitem pensar que ele coloca acima dos interesses dos francanos os seus próprios. Aferra-se ao cargo, passando por cima de acordos firmados com seus pares e sendo acusado de cometer irregularidades que o colocaram na mira da Promotoria. Inclusive, é alvo de inquérito policial, suspeito da subtração de um documento oficial no processo de contratação de um advogado. Diante desse cenário, em vez de se afastar para preparar sua defesa, o presidente da Câmara fez o contrário e até conseguiu convencer seus colegas a o reelegerem. E tudo piora ainda mais diante das acusações de assédio moral contra as advogadas. Caso consigam provar a perseguição e o assédio moral, deixarão Jépy Pereira totalmente enrascado.
Se é verdade que todos os inquéritos de que é alvo não vão dar em nada, com ele sugere, não se entende a razão de Jépy usar o dinheiro da Câmara para pagar advogado para defendê-lo. Afinal, todas as acusações são feitas ao presidente da Casa, mas as decisões que as provocaram partiram do político - duas delas consideradas manobras na tentativa de burlar determinações da lei.
Taysa do Nascimento e Maria Fernanda Novato afirmam que não compactuam com ilegalidades e acreditam que, por isso, são perseguidas. Qualquer cidadão de bom senso fica entre indignado e surpreso ao imaginar que uma situação como essa pode ocorrer em pleno legislativo francano.
O fato é que ninguém deve aceitar que um gestor público, seja ele administrador ou legislador, aja à margem da lei. Por isso, espera-se que os fatos sejam legalmente apurados para que se tenha a exata dimensão do nível de ação de Jépy. Por enquanto são acusações, que por sua gravidade necessitam de apuração precisa e objetiva. Os francanos precisam conhecer a verdade.
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