Adérmis deixa cargo de líder do prefeito


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O vereador Adérmis Marini (PSDB) entregou o cargo de líder do governo e não será mais o porta-voz de Alexandre Ferreira (PSDB) na Câmara. A decisão foi tomada após o prefeito não ter cumprido acordo feito com sua base aliada e comprado por decreto prédio no valor de R$ 3,3 milhões para ser usado como depósito de merenda sem consultar o Poder Legislativo. Para Adérmis, a rasteira foi um desrespeito à Câmara.
 
Na segunda quinzena de outubro, oito vereadores governistas atenderam à convocação do prefeito e participaram de reunião no gabinete. O governo queria apoio para a votação de projeto que autorizava mudanças de R$ 34,8 milhões no orçamento fiscal. Um dos artigos também previa a destinação de R$ 3,5 milhões para a compra de imóvel. Houve resistência.
 
Para convencê-los, assessores do prefeito afirmaram que os vereadores seriam consultados quando a compra fosse ser efetivada. O projeto foi votado no dia 22 e Adérmis, amparado pela promessa recebida do governo, tranquilizou os colegas. “Podemos votar sem preocupação. Estamos apenas disponibilizando os recursos. A aquisição passará pelo crivo da Câmara.” Com a garantia, o projeto foi aprovado sem votos contrários.
 
No dia 10 de dezembro, Alexandre Ferreira baixou decreto e, com uma canetada, desapropriou, não só o prédio, como também os bens móveis, entre eles, 800 cadeiras de ferro e seis geladeiras próprias para cerveja. Uma semana depois, a escritura já havia sido passada.
 
A Câmara só tomou conhecimento da compra na última quarta-feira, dia 29, após o Comércio publicar reportagem informando que a Prefeitura já havia adquirido o prédio e montado o depósito de merenda no local. A indignação foi geral. “Fomos feitos de bobos. Fui enganado e não gostei”, afirmou Laércinho (PP). “O episódio deixou claro que não podemos confiar no governo”, disse Daniel Radaeli (PMDB).
 
Em princípio, Adérmis alegou que não se sentia enganado e que o prefeito decidiu fazer a desapropriação para agilizar o processo. Mas os vereadores afirmaram que foram traídos e cobraram explicações. Ele também teve o posicionamento questionado por eleitores e decidiu não ser mais para-raios de Alexandre. Em reunião fechada com um grupo de vereadores, na manhã de sexta-feira, Adérmis comunicou a decisão irrevogável e recebeu o apoio dos colegas. “O governo desrespeitou a Câmara. Como eu vou olhar nos olhos de vocês? É preciso ter dignidade e não vou ser mais líder’, disse ele, segundo relatos de um participante. A assessoria do prefeito também já recebeu o recado.
 
Procurado pelo Comércio, Adérmis não quis gravar entrevista, mas confirmou sua saída. A Câmara voltará do recesso na terça-feira. Ele garante que usará a tribuna para detalhar publicamente os motivos que o levaram a tomar a decisão. 
 
O prefeito enfrenta dificuldades para encontrar um novo líder, que é o vereador responsável por defender as posições e projetos do governo, além de orientar a bancada de apoio como devem ser conduzidas as votações. Nome mais cotado, Marco Garcia (PPS) está resistente em aceitar. Laércinho é o plano B. 

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