Fantasias em Batatais custam preço de um carro zero km


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José Henrique Corrêa investe anualmente o equivalente a um carro popular novo em suas fantasias para desfilar em Batatais
José Henrique Corrêa investe anualmente o equivalente a um carro popular novo em suas fantasias para desfilar em Batatais
Cinquenta mil reais é o valor do patrimônio colorido e luxuoso que o professor José Henrique Corrêa, 46, estima ter em casa. E ele não está falando de carro, moto ou outros bens do tipo. O montante se refere a produtos como penas, cristais e outros materiais que dão vida a fantasias de destaque no Carnaval de Batatais. Conhecido na cidade pelos trajes esplendorosos que apresenta ano a ano na passarela do samba, Corrêa está entre as pessoas que não medem esforços - e investimentos - para alcançar a realização pessoal de desfilar no Carnaval e, ao mesmo tempo, fazer história e ser marcante na apresentação.
 
Quem acompanha os desfiles carnavalescos da região, ou ainda do Rio de Janeiro - meca da folia -, sabe que luxo, glamour e pompa não são quesitos técnicos, mas protagonizam o efeito visual das escolas de samba da concentração à dispersão.
 
Com a experiência de uma jornada carnavalesca que já dura mais de três décadas e ciente do impacto que uma fantasia construída com primor provoca, Corrêa prepara para o Carnaval deste ano uma indumentária com custo total estimado em R$ 30 mil, ou seja, valor superior ao de carros populares zero quilômetro. Ele explica que no preço estão incluídos produtos novos, mas há também muitos materiais que já atravessaram a passarela em outras ocasiões e ressurgem renovados e modificados: nada com cara de “te conheço de outros carnavais”. 
 
Na lista de itens de luxo que inflam o valor das fantasias estão penas especiais - como as de faisão, que chegam a custar R$ 200 a unidade -, cristais, pedrarias, strass e tecidos sofisticados, como o paetê e rendas com preço estimado em até R$ 300 o metro. Entretanto, para apaixonados pela arte do Carnaval como Corrêa, investimento e dedicação valem a pena, e todo o material que ele precisará para retratar com fidedignidade e luxo a Lenda do Uirapuru - sua fantasia deste ano - já está providenciado.
 
“Acho bonito. A paixão vem do gosto de fazer arte. Vale a pena. É uma satisfação ver o trabalho pronto, ver que o público gostou, me sinto realizado”, afirmou o professor, que é tesoureiro e faz parte da equipe de carnaval da Unidos do Morro, atual campeã batataense, que levará para o sambódromo o enredo Amazônia... Lendas e mitos do eldorado verde. O resultado de todo o trabalho poderá ser visto no alto do último carro alegórico no domingo de Carnaval.
 
Investimento
Outro apaixonado pelas artes que investe pesado no visual para a festa de Momo é o jardineiro da Prefeitura, Getúlio Donizete Sofiati, 46. Embora priorize, segundo ele, primeiramente a história, a arte e cultura que permeiam os desfiles e seus bastidores, ele se mostra atendo aos detalhes das fantasias que sua escola de samba, a Unidos do Morro, levará para a passarela e, claro, não descuida da sua.
 
Ele faz mistério acerca do desenho do traje que representará o boto-cor-de-rosa dentro do enredo, mas adianta que, se começado do zero, o investimento para traduzir a lenda do animal que enfeitiçava moças bonitas seria superior a R$ 28 mil. 
 
O valor não chega a doer no bolso porque, como de praxe entre os desfilantes, ele lança mão de um pouco de tudo que já usou e guardou de desfiles passados. Uma mostra de seu patrimônio esteve em sua fantasia do Carnaval de 2013. Foram cerca de 20 quilos de materiais diversos - a maioria nobre.
 
Para começar, só de plumas havia mais de 6,5 quilos. Com o preço do quilo de tais penas custando até R$ 1.700, a conta já começa alta. A indumentária foi incrementada ainda com 980 penas de pavão (R$ 195 o cento), alguns metros de tecidos nobres e outros quilos de pedrarias. 
 
Grande parte disso volta renovada, no entanto, sempre há novidades para serem incorporadas. A conta só não fica mais salgada porque, com a larga experiência em carnavais, Sofiati é dono de mãos habilidosas e confecciona suas próprias fantasias, evitando gastos com mão de obra. “Nosso trabalho envolve pesquisa de enredo e de materiais. O que mais gosto é o que há por trás dos preparativos. É da arte, da história”, disse. 
 
 

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