Neste domingo, a Palavra de Deus deixa bem claro o que Deus busca em cada um de nós no nosso dia-a-dia. Vejamos os ensinamentos dos textos bíblicos que são proclamados hoje: Sofonias 2 na primeira leitura; 1ª Carta aos Coríntios 1 na segunda, e o Evangelho de Mateus 5
Primeira leitura: Sofonias 2: Houve um tempo em que Deus parecia aliado aos ricos. Lentamente, porém, a mentalidade muda. Após a pregação dos profetas começa-se a entender que riqueza, é fruto de trapaças, exploração de operários, opressões, de injustiças. Sofonias afirma que o castigo de Deus é iminente. A única possibilidade de salvação é a imediata ‘conversão do Senhor’.
Converter-se, portanto, queria dizer: ser como os ‘humildes’ como os ‘pobres’. Pela primeira vez na Bíblia a palavra ‘pobre’ é empregada com conotação nova: já não indica somente condição social e econômica, mas postura religiosa interior. No dia do castigo, diz o profeta, Deus deixará sobreviver ‘povo humilde (pobre) e sem recursos, resto de Israel, que buscará refúgio no nome de Javé.
Segunda leitura: 1ª Carta aos Coríntios 1: Continua a carta que começamos a ler dois domingos atrás. Os problemas da comundiade eram discórdia, divisões, inveja, ciúme. Como fora possível, para comunidade, tão fervorosa, cair tanto? A leitura revela as ‘preferências’ de Deus: não os ricos, mas os pobres, os marginalizados, aqueles considerados sem valor por todos. Por exemplo, continua Paulo, na comunidade de Corinto não há nobres, não há ricos, chefes políticos, homens de elevada cultura e de erudição. Pelo contrário, todos são pobres, às vezes até miseráveis. Deus escolhe os pequenos, que não valem nada, para enriquecê-los com seus dons.
Evangelho: Mateus 5: Os capítulos 5 - 7 do Evangelho de Mateus são apresentadas as exigências da sua mensagem. É o ‘Sermão da Montanha’, dirigido a cristãos de todos os tempos.
‘Bem-aventurados os pobres em espírito’ - Os ‘pobres em espírito’ estão convencidos que a felicidade do homem não consiste em locupletar-se de coisas, mas no amor ao ser humano, na doação gratuita de si.
‘Bem-aventurados os que sofrem’ - Quando Jesus proclama bem-aventurados os ‘aflitos’, fala de quem não têm casa, terras, porque a herança dos pais foi ocupada por estranhos, e devem aguentar injustiça, falsidades, afrontas, humilhações.
‘Bem aventurados os mansos - O termo ‘manso’ usado por Jesus foi tomado do Salmo 37. Nele ,os mansos são aqueles que foram privados de seus direitos, liberdade, bens.
‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça’ - Fome e sede são impulsos fortes. Quem sente, deve considerar-se bem-aventurado. Com a vinda do Reino, serão saciados.
‘Bem-aventurados os que fazem obras de misericórdia’ - No mundo novo, encontrarão quem lhes estenda a mão.
‘Bem-aventurados os puros de coração’ - Os puros de coração desfrutarão de uma profunda experiência de Deus
‘Bem-aventurados os que se comprometem com a paz’- Deus considera seus filhos os que se esforçam, com todas as forças, para construir mundo no qual exista para todos esta “paz”.
‘Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça’ - Há sofrimentos, provações, males que se abatem sobre nós de repente, sem que tenham sido provocados. Mas há, outros que necessariamente acompanham algumas decisões.
Jesus até sugeriu o comportamento quanto a momentos de perseguição: “Eu vos digo, amai os vossos inimigos e orai pelos vossos perseguidores”. Abençoai aqueles que vos perseguem, exortará, por sua vez, Paulo. A única força capaz de romper a espiral da violência, de fato, é a do amor e do perdão.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br
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