A equipe de marketing da Presidência da República parece ter encontrado o caminho para o governo Dilma Rousseff enfrentar as manifestações contra os gastos para a realização da Copa do Mundo no Brasil. De acordo com informações da Agência Brasil (site oficial de notícias do governo), o Palácio do Planalto estuda um plano para deixar os gastos com o mundial mais transparentes. Diante da reação popular e dos vários episódios de vandalismo, a avaliação do governo é que com a população melhor informada e esclarecida as reações fiquem menos violentas. A ideia é mostrar quanto custou cada arena e as obras de infraestrutura do mundial e até compará-las com as que foram feitas em outros países. A estratégia de comunicação ainda está sendo montada e será apresentada à presidente nos próximos dias.
Os estrategistas encastelados em Brasília aparentemente fazem uma leitura diferente do que vem sendo entendido desde junho do ano passado, quando o Brasil foi sacudido por protestos. Na época, começou-se a manifestar contra o aumento das passagens do transporte público e, depois, uma série de questões foi sendo agregada, até os gastos com a Copa do Mundo. Na última semana manifestações contra o Mundial e o volume de recursos investido na construção ou reformas de arenas nas sedes determinadas pelo comitê organizador foram de novo registradas em São Paulo e Brasília.
A ideia dos marqueteiros de Dilma pode não passar de um tiro n’água. Afinal, o brasileiro não está interessado se o Brasil gastou mais ou menos do que outros na realização da Copa. O brasileiro está protestando contra a utilização do dinheiro público investido para a organização do evento enquanto temos saúde pública, ensino e infraestrutura de terceiro mundo. Nossos hospitais continuam sucateados, rincões do País não contam com equipamentos necessários para o tratamento de saúde e a população vê que obras como estádios para a Copa do Mundo ganham acabamento de primeiro mundo -- mesmo que algumas arenas ainda estejam com prazo de entrega estourado.
Quanto ao ensino, faltam estrutura física e condições para professores conseguirem ensinar aos alunos o mínimo necessário. A criação de cotas, bolsas de ensino e incentivos para que estudantes egressos do ensino público frequentem cursos superiores apenas mascara o problema. Ao mesmo tempo, o Brasil ainda vê crianças morrendo de desnutrição e doenças que há muito deveriam ter sido extirpadas, como dengue, tuberculose e anemia. Estas são as principais causas destas manifestações, aliadas à percepção de que a corrupção encarece obras públicas, desvia dinheiro de hospitais e escolas e causa rombos nos cofres públicos. Não será uma ação pirotécnica que mudará isso. É preciso que o governo, em todos os níveis, busque soluções que contemplem as demandas de todos os brasileiros. O que se busca é atendimento digno na saúde, escolas que realmente ensinem e eduquem, e infraestrutura, principalmente na área de saneamento, que reduza as agruras que o brasileiro ainda sofre.
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