Paulistano: sobra velório, mas faltam creche e delegacia


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Zelador do velório do Jardim Paulistano varre a sala que foi usada apenas uma vez em 2,5 anos
Zelador do velório do Jardim Paulistano varre a sala que foi usada apenas uma vez em 2,5 anos
O velório do Jardim Paulistano continua inativo. Inaugurado há mais de dois anos e meio, foi utilizado uma única vez por moradores da região. Há seis meses a reportagem do Comércio visitou o local e ouviu as reclamações dos moradores a respeito da falta de utilidade do espaço, mas desde agosto a situação permanece exatamente a mesma. Diante do quadro, a Prefeitura de Franca disse que pretende fazer uma audiência pública para ouvir a vontade dos moradores quanto ao destino do espaço, porém o questionamento popular não tem data para acontecer. Enquanto isso, a população, e até mesmo a Associação de Moradores do Parque “Vicente Leporace”, que administra o lugar, esperam que o espaço seja transformado em algo mais útil aos moradores da região.
 
Segundo o presidente da Associação, Nelson da Rocha Neves, a entidade enviou ofício para a Prefeitura relatando a inutilidade do velório em dezembro do ano passado. “Falamos que ninguém quer velar nenhum parente naquele baixadão pois ali é muito escuro e perigoso, mas a Prefeitura não respondeu ao nosso ofício”, disse.
 
Desde a inauguração do velório, em agosto de 2011, a Prefeitura de Franca paga R$1.500 todo mês para a Associação de Moradores administrar o espaço. O zelador do local, que não quis ter o nome divulgado, disse que mantêm o lugar limpo e organizado, porém não tem muita esperança de receber uma família de luto. “Nesse tempo todo só me procuraram duas vezes. Uma vez os parentes não quiseram deixar o corpo do falecido aqui nem por duas horas, na outra vez a funerária me ligou pedindo pra abrir, mas logo depois desistiu”, disse.
 
Vizinhos
Segundo os moradores, a região é perigosa o que inviabiliza velar um ente querido no velório do Jardim Paulistano durante a madrugada. Os populares ouvidos pela reportagem nas redondezas do velório disseram que a região é carente de diversos serviços e defendem que o lugar deveria ser um espaço para atender às necessidades dos moradores. A faxineira Dirce Caetano da Silva, que mora próxima ao velório, disse que o espaço poderia ser uma creche. “As mães têm que subir a ladeira e andar muito pra levar as crianças na creche. Acho que seria mais útil se aqui fosse uma escolinha”, disse.
 
O dono de uma banca de pesponto, José Antônio Gomes, que também mora na região, acha que o velório deveria ser transformado em uma delegacia. “Fazer isso em um lugar tão perigoso foi jogar dinheiro fora. Por mim isso deveria ser uma DP, pois estamos precisando muito de uma por aqui”, disse.
 
De acordo com a Prefeitura, o velório do Jardim Paulistano está à disposição para ser usado pela população. O velório do Paulistano fica na rua São João Del Rey, 3.200.

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