Frustrei-me esta semana. Confrontei-me com a tal discriminação racial, prática, ardida. Pior. Aconteceu por que alguém, um discriminador, falou a um negro, seu companheiro de trabalho, que um sujeito tinha - no caso, eu - se referido a ele como ‘negro’. O ‘acertou em cheio’. Na primeira oportunidade em que ‘sua vítima’ falou comigo, disse: ‘aqui é o negro que o senhor disse que o atendeu. As informações que o senhor precisa são essas e essas...’.
Quase cai da cadeira. Desconforta saber que há gente capaz de produzir reações descontroladas no ser humano. Inferi que o companheiro de trabalho dele o havia informado sobre mim com base em pura discriminação, baseado na resposta que lhe dei à pergunta ‘o senhor foi atendido por quem?’ — ‘fui atendido por um rapaz negro’. Imediatamente, disse saber quem era.
O que, para mim, foi só contato comercial, para o ouvir torto do discriminador não foi. Para ele, eu ‘acusei’ seu companheiro de trabalho de ser ‘negro’! Deve ter martelado muito a cabeça dele. Até pedido que lhe fiz para recuperar informações e me ligar nos minutos seguintes, esqueceu.
Imagino a cena do reencontro dos dois. ‘Sabe aquele cara que esteve aqui hoje, pedindo isso e aquilo? Pois é. Ligou cobrando e dizendo que foi atendido por um negro!’ Imagino também o que o moço negro deve ter sentido quando falou novamente comigo. Certamente, queria entender a razão de ‘meu ódio, da discriminação que cometi contra ele’, vitimado que foi pelo tiro certeiro, repleto de fel e maldade de seu ‘amigo’ ávido por vê-lo ‘fazer justiça’!
Expliquei-lhe: ‘Entendo que você não esteja bem pela forma com que abre essa nova conversa comigo. Seu companheiro de trabalho me perguntou quem me atendeu. Eu fui claro e objetivo: foi um rapaz negro. Errei? Estamos ambos sendo vítimas de um discriminador. Se você está pessoalmente ofendido, peço-lhe perdão, embora sejamos, eu e você, negros’.
Sua reação seguinte foi a de um homem educado e consciente. Compreendemos o estrago do ‘fogo amigo’, mas, certamente, tem que se preocupar, já que continuará convivendo com o discriminador inculto, baixo e capcioso que ‘apertou o gatilho’. Companheirismo algum, carregado de ódio, vale nada.
AINDA, ‘DEBATE, E NÃO DISCUSSÃO’: O leitor Cláudio Antônio Borges, cujo comentário publiquei aqui junto a ponto de vista de outro leitor, Roberto Pires Silveira, em 18 de janeiro, (leia em http://gcn.net.br/noticia/238320/opinia o/2014/01/debate-e-nao-discussao), e em ‘Cartas’ (leia em http://gcn.net.br/noticia/238679/opiniao/2014/01/deba te-nao-discussao), manifestou-se. “Em razão de viagem viu depois”, mas sentiu-se ‘convocado’ pelos ‘esforços da coluna em provocar a sociedade, independente de ideologias político-partidárias, visando melhoria a todos, não só para alguns’. Para ele, ‘só ações e atitudes podem resgatar os valores cidadãos que o país, parece, não tem mais forças para praticar’. No Brasil de hoje, disse, “a ‘turma do mal’ domina a maioria, a ‘turma do bem’, mas que se apequena porque permanece calada’. Pontua outras reflexões relevantes. Voltarei ao assunto.
TAMBÉM PRECISO: Penso em comprar casa mas não tenho o dinheiro. Vou abrir conta bancária para receber doações de quem quiser me ajudar. Deem-me a mesma solidar José Genoino e Delúbio Soares tiveram. Ontem eu soube que Delúbio conseguiu mais de R$ 1 milhão para pagar os quase R$ 500 mil de multa à qual o Supremo Tribunal Federal o condenou como mensaleiro, além de prisão por 6 anos e 8 meses. Repassará a José Dirceu ‘as sobras’! Mesmo correndo risco de não receber doação alguma, minha consciência me leva a informar a quem se dispuser em me ajudar, que não tenho condenações civis ou criminais, e nunca fui preso.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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