Ela é mesmo um tanto maluca, complicada e engraçada. Quase nunca sabe o que quer achando que tudo vai dar certo e quando resolve fazer algo, faz, mas tudo pelo avesso.
Dia desses eu a ouvi cantarolando: “ Tem dias em que fico pensando na vida...” Pensando em que, menina? Em fazer uma viagem, mas para onde, por quanto tempo não sei, ela diz. O mais importante para ela era saber que mala levaria. Se por muitos dias de viagem, a mala grande, preta; e se por menos, a maleta azul marinho. E cantarola de novo: “queria a mala, mas não posso a mala, pra que serve se não tenho roupa...” Melhor mesmo a mala grande onde caberiam roupas, sapatos, o guarda- chuva, cabide e coisas mais.
Mas pensando bem, a mala grande é tão pesada, incômoda e nem tem rodinhas. Então a maleta, se a viagem for curta; isso mesmo, maleta para levar a pouca roupa que tem e só dois pares de sapato porque “sapato de pobre é tamanco...” e os seus dois tamanquinhos, uma graça.
E agora, “com que roupa eu vou...” A que couber na maleta, claro, mas e o guarda-chuva, aquele de cabo comprido e barbatanas quebradas? Então não levo o guarda-chuva mas e se chover? “deixa chover, deixa a chuva molhar...” porque “chuva vai, chuva vem, chuva miúda não mata ninguém...”
Então, viajar ou não viajar. Para onde, por quantos dias, levar a mala ou a maleta, muita roupa ou pouca roupa. E o guarda-chuva? Volta a cantarolar: “eu não sei se vou ou se fico...” “Sei lá, sei lá...”
É quando faz uma retrospectiva do que Não planejou e decide por viagem nenhuma. Continua cantarolando: “daqui não saio, daqui ninguém me tira...” E mais: “Como é para o bem de todos, digo a todos que fico”.
Farisa Moherdaui, professora
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