Muito longe da realidade


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A presidente Dilma Rousseff utilizou sua conta no Twitter para comemorar os números anunciados ontem pela PME (Pesquisa Mensal de Empregos) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o levantamento, a taxa de desocupação verificada em dezembro de 2013, de 4,3%, é a menor da série histórica do instituto, iniciada em março de 2002. Em novembro de 2013, a taxa havia sido de 4,6%. Com o resultado, a taxa média de desemprego no ano de 2013 ficou em 5,4%, também a menor da história. O resultado foi 0,1 ponto porcentual abaixo da taxa média de 2012 (5,5%) e 7,0 pontos porcentuais inferior à taxa de 2003 (12,4%). 
 
Porém, a euforia da presidente a qualquer número que transmita positividade ao seu governo passa por cima de uma realidade fundamental: a situação não está tão boa como apregoa o Planalto. Diversas pesquisas apontam para um paradoxo que acaba deixando o brasileiro confuso. Pergunta-se: a taxa de desemprego é a menor da série recorde (5,4%) ou ainda temos pelo menos 38,5% de brasileiros em idade de trabalhar fora do mercado, como constatou o mesmo IBGE? Estes são igualmente desempregados.
 
Os números precisam ser considerados com muita cautela já que a metodologia muda a cada um deles. A PME não é um retrato exatamente fiel do mercado de trabalho. Isso porque ela pesquisa a situação do emprego em apenas seis regiões metropolitanas do País -- Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Sabendo da limitação deste levantamento, o IBGE já começou com um novo trabalho. Trata-se da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que expande a abrangência da pesquisa atual para um âmbito nacional. Agora, serão mais de 200 mil domicílios pesquisados, em cerca de 3,5 mil municípios. 
 
A Pnad mostrou, no começo do ano, que 61,3 milhões de brasileiros estão fora do mercado do trabalho. É um enorme contingente. Ao lado dela, a pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, também não reflete a situação do emprego no País como um todo: mede apenas o mercado formal. É um compilado das contratações e demissões de todas as empresas do País. Porém, não levanta com exatidão a taxa de desemprego. Somente a Pnad Contínua será capaz de mostrar com mais propriedade o número de empregados e desempregados no País. Foi ela que revelou que o índice de desemprego em 2012 ficou mais de dois pontos percentuais acima do anunciado pela PME. 
 
Diante das disparidades é prematuro (e leviano) considerar que o País vive uma fase de pleno emprego. Como sempre, Dilma Rousseff prefere exaltar números que possam conferir avanços a seu governo, mesmo tendo consciência de que não correspondem à realidade. É preciso ter cuidado com estas divulgações, já que a nova metodologia do IBGE poderá causar estragos na estratégia da presidente para se reeleger.
 
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