O acordo não cumprido pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que desapropriou o prédio do espaço de eventos Dom Pedro por R$ 3,3 milhões sem consultar a Câmara, antecipou o fim do recesso do Poder Legislativo e provocou reações de aliados e opositores. Vereadores governistas sentiram-se desrespeitados e cobram uma explicação com a ameaça de abandonar a base de apoio. Enquanto isso, um projeto de lei também foi protocolado, ontem à tarde, com a finalidade de mudar as regras que autorizam a aquisição de imóveis pelo município. É uma tentativa dos parlamentares de evitar novas “rasteiras”.
A Lei Orgânica de Franca estabelece que a compra de bens imóveis depende de prévia autorização legislativa, exceto quando feita por desapropriação. Alexandre aproveitou-se desta brecha e, mesmo tendo se comprometido com os vereadores que enviaria o projeto para análise dos vereadores, comprou o prédio para abrigar o depósito de merenda da Prefeitura sem consultar a Câmara. “Na ocasião, alertei os vereadores, mas eles foram contrários ao meu pedido de votação em destaque. Agora, não há porque ficar chorando o leite derramado e reclamar que foram enganados”, disse Márcio do Flórida (PT).
É de autoria do petista o projeto que pretende mudar a lei e ampliar o poder de fiscalização da Câmara. “Se a lei for aprovada, o prefeito ficará obrigado a consultar o Legislativo, mesmo nos casos de desapropriação”. Márcio do Flórida espera colocar a proposta para ser votada em regime de urgência na sessão de terça-feira. Para isto, ele depende de dez assinaturas favoráveis. “Todos os vereadores estão reclamando da forma como o prefeito procedeu. Espero que eles não acreditem mais em promessa e que me ajudem a mudar a lei. É o mínimo que podemos fazer”.
O líder do prefeito, Adérmis Marini (PSDB) foi o portador aos vereadores da promessa do governo de que a compra do prédio seria analisada pela Câmara. Depois da “rasteira”, o vereador disse, inicialmente, que não se sentia enganado. “O prefeito decidiu fazer desapropriação, acho que quis agilizar o processo”. Depois, cobrado pelos colegas e exposto perante à opinião pública, ele se reuniu com Alexandre Ferreira no fim da tarde de ontem e reclamou do tratamento que tem recebido. O vereador, que desde o ano passado colocou a liderança à disposição, evita falar em público que tenha sido traído, mas admite que foi desrespeitado.
Laércinho (PP) também afirma ter ficado magoado com o prefeito e afirmou que poderá deixar a bancada governista se os vereadores continuarem sendo desrespeitados. “O governo está escapando marcha”.
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