Zeladores temem ser expulsos de cemitério


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Uma dos 30 zeladores de túmulos que trabalham no cemitério da Saudade. Em reunião na quarta-feira, funcionário da Prefeitura ameaçou retirá-los do local
Uma dos 30 zeladores de túmulos que trabalham no cemitério da Saudade. Em reunião na quarta-feira, funcionário da Prefeitura ameaçou retirá-los do local
Responsáveis pela manutenção e limpeza de túmulos particulares, os zeladores que trabalham no cemitério da Saudade, no Centro, podem ser retirados do local. A ameaça partiu da Prefeitura de Franca caso os 30 homens e mulheres que atuam no cemitério não aceitem se organizarem em uma associação.
 
A proposta foi apresentada em uma reunião na quarta-feira. A exemplo do que acontece no cemitério Santo Agostinho, os zeladores devem se reunir em uma associação com estatuto e presidente e, assim, evitar que outras pessoas assumam o trabalho de maneira irregular. Outro ponto discutido trata-se da limpeza do cemitério. Com a associação estabelecida, os zeladores integrantes ficariam obrigados a limpar toda a área calçada ao redor do túmulo e a fazer a coleta de folhas e galhos do chão.
 
Quem ganha a vida lavando túmulos no cemitério da Saudade é contra o estabelecimento da associação, principalmente, se tiverem por obrigação a realização de serviços que julgam não ser de sua responsabilidade. “Existe uma pressão para montarmos a associação. Se a gente não quiser, falaram que não vamos mais poder trabalhar aqui. Já se a gente aceitar, terá até que vigiar para ver se o trabalho está sendo feito, do contrário, terá multa para aqueles que não fizerem a limpeza”, disse Aparecida Antonieti, 72, que trabalha há mais de 30 anos como zeladora de túmulos.
 
Encarregada da limpeza de 17 túmulos, Tânia Alves Pereira, 52, também não é favorável à associação. “A Prefeitura está impondo, quer passar serviço e não pagar nada por ele. Quer que a gente trabalhe com pá e saco de lixo.”
 
Com dez anos de cemitério, o zelador Irineu Cândido da Silva, 50, diz temer perder seu “ganha-pão” diante do impasse. “Não sou novo, então, se perder isso aqui, vou ter dificuldade de encontrar outro serviço.”
 
Todos confirmaram a intenção da Prefeitura de terceirizar a limpeza dos túmulos, caso eles não concordem em montar a associação. “Não sou funcionária da Prefeitura e o cemitério é público. Não tenho obrigação de varrer o chão, faço a limpeza de túmulos que são particulares”, disse outra zeladora que preferiu não se identificar.
 
Procurado o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, disse que a montagem de uma associação ainda está em estudo e negou a existência de uma ameaça para retirar os zeladores do cemitério. De acordo com a legislação, a obrigação de limpeza do cemitério, excluindo os túmulos particulares, é da Prefeitura.
 

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