Black blocs


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Quando torcidas organizadas saíram do controle e passaram a brigar, depredar e até matar, as autoridades - por iniciativa do MP - proibiram que voltassem a jogos, usar uniforme em via pública e, até que os mais comprometidos com baderna se apresentassem à unidade policial durante jogos de seus times. Medidas duras, mas detiveram a violência que galopava ao descontrole. Agora, desordeiros chamados ‘black blocs’ tomam de assalto bem intencionadas manifestações pacíficas e promovem quebra-quebra, desvirtuam o propósito dos movimentos e, pior, cavam solidariedade de sociólogos, ideólogos e contestadores.
 
Os policiais ficam entre a cruz e a caldeirinha. Sabem que serão insultados e agredidos por interessados no caos, mas, mesmo assim, evitam abrir confronto. Sabem que se suas atitudes foram consideradas violentas - e, invariavelmente, são - terão dificuldades poderão até ser expulsos de suas corporações, já que o patrão-governo, é permeável a reclamos. O episódio do jovem baleado é prova. Dizem que a polícia, ao invés de atirar, poderia tê-lo contido, mas pouco se fala dele portar explosivo, estilete e bolas de gude, e de ter atacado o policial que o perseguia.
 
Governantes e responsáveis pela política social deveriam entender que quando a polícia é obrigada a intervir é porque o evento já está fora de controle. Violência se instalou, e, para conter, só força. Autores de violência em manifestações deveriam, da mesma forma que com torcedores violentos, serem obrigados a comparecer a unidade policial e ali permanecer durante manifestações futuras. Além dos 130 presos no último sábado em São Paulo, tem mais duas ou três centenas ‘fichados’ em manifestações anteriores. Poderiam sofrer a restrição. O uso de máscaras e porte de armas, combustíveis, explosivos ou qualquer artefato que possa servir a vandalismo, precisa resultar em prisão imediata e processo. O MP dispõe de meios para conter os ‘blocs’, mas tem que ter apoio do Judiciário, do Executivo e forças da sociedade. 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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