Nós vivemos hoje num País onde os problemas abundam e se acumulam, requerendo uma série de medidas para serem contornados. A violência grassa, a miséria persiste e temos um bando de desempregados que não se mexem para buscar uma ocupação no mercado de trabalho. Além disso, a Saúde e o Ensino Públicos continuam à espera de ações efetivas. Ou seja, há muitas coisas mais graves necessitando da atenção de nossos agentes públicos eleitos do que uma mera discussão sobre a escala do avião da presidente Dilma Rousseff em Lisboa, a estadia de sua comitiva ou então a refeição feita em um restaurante chique.
Tanto o PSDB, considerado o principal partido de oposição no País, quanto o PPS, legenda ainda mais à esquerda dos tucanos e que sempre vai protocolar representações contra o governo atual, deveriam estar mais preocupados com a situação dos brasileiros, que voltam a se manifestar contra a qualidade dos serviços públicos e a corrupção por todo o País. Aferrar-se aos gastos feitos pela comitiva presidencial em Portugal é o mesmo que discutir o sexo dos anjos. Trata-se de um debate que não vai levar a lugar nenhum. É perda de tempo.
O que não se pode é tentar politizar o assunto, por demais irrelevante, enquanto há outros muito mais sérios exigindo uma tomada de posição imediata. Como já dissemos aqui ontem, neste mesmo espaço, a escalada da violência exige uma solução imediata. A condição da segurança pública no Brasil ainda não foi atacada de frente, com a coragem necessária. Outro ponto que grita por mais atenção diz respeito à Saúde Pública. Esperar os recursos do pré-sal para aumentar as verbas para o setor torna-se um discurso (ainda) vazio, já que não há certeza de que este volume de dinheiro sairá das imensas reservas de petróleo que até agora não podem ser consideradas realidade.
Afinal, atualmente parte dos recursos destinados à saúde escorre pelo ralo da corrupção, indo parar em bolsos alheios quando deveria estar beneficiando a população que necessita de atendimento médico. A contratação de milhares de profissionais dessa área, a maioria cubanos, não vai ser a solução enquanto estes mesmos profissionais não contarem com equipamentos, medicamentos e espaços físicos adequados. É preciso buscar uma nova fórmula de investimento sem que isso pese nos bolsos dos trabalhadores.
Já a Educação também está por merecer uma maior atenção. Criar programas de bolsas de estudo não é contraproducente enquanto a qualidade da educação fundamental não for estimulada. Estudantes deixam o primeiro ciclo escolar sem que tenham as mínimas condições de ler, escrever e entender qualquer tipo de texto, além de não conhecerem de forma satisfatória as operações matemáticas. Em vez de tentar encontrar pelo em ovo, a oposição deveria atuar de forma mais responsável e efetiva, apontando saídas plausíveis e cobrando o governo para a sua implementação. Discutir gastos com estadias e refeições da presidente Dilma é apequenar o discurso em favor de um Brasil realmente engrandecido; não contribui para a melhoria da situação do País e nem para dar condições de vida dignas a todos os brasileiros.
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