Rasteira, perninha de anão, chapéu, passa-moleque. As expressões são usadas no meio político para se referir a alguém que tenha sido ludibriado, enganado. Todas servem para definir o que os vereadores receberam ao dar um voto de confiança ao prefeito na votação de projeto que permitiu a compra de prédio no valor de R$ 3,3 milhões para ser usado como depósito de merenda. Ao contrário do que esperava, a Câmara não foi consultada. A desapropriação deu-se por decreto e provocou a revolta de parlamentares, inclusive, da base governista.
A mais nova crise entre Prefeitura e Câmara começou dia 22 de outubro, quando foi aprovado projeto autorizando o prefeito a fazer mudanças na ordem de R$ 34,8 milhões no orçamento fiscal. O governo justificou que a alteração seria imprescindível para garantir o pagamento da folha de dezembro e o 13º salário dos 4,5 mil servidores. Também permitiria investimentos na Educação e Saúde.
Mas não era só. O artigo 4º do projeto previa a destinação de R$ 3,5 milhões para a compra de imóvel. Vereadores criticaram a estratégia adotada por Alexandre Ferreira de embutir no pacotão de mudanças o pagamento dos servidores. “É uma maneira de nos forçar a votar a favor”, disse Radaeli (PMDB). Márcio do Flórida (PT) pediu que o referido artigo fosse votado em destaque por entender que a Câmara estaria dando um cheque em branco para o prefeito usar como quisesse. Líder do prefeito, Adérmis Marini (PSDB) foi à tribuna e tranquilizou os colegas. “Estamos apenas disponibilizando os recursos, mas eventual compra do imóvel precisará de nova autorização da Câmara.” Com a garantia, o projeto foi aprovado sem votos contrários.
No dia 10 de dezembro, Alexandre publicou decreto declarando o prédio como utilidade pública, para desapropriar. A Câmara não foi consultada. Quando os vereadores receberam cópias do laudo de avaliação do imóvel, a escritura já havia sido passada. “O episódio deixou claro que não podemos confiar no governo”, afirmou Radaeli. Maior voz em defesa do prefeito, Laercinho (PP) disse ter sido traído. “Defendi o projeto na tribuna e fui enganado. Não gostei do que aconteceu e vou pedir desculpas aos vereadores na próxima sessão.”
Adérmis admite ter dado garantias aos vereadores de que a Câmara seria consultada. “Falei com base em informações recebidas da secretária de Finanças, Neide Lopes, durante reunião com vereadores da base. Ela disse que a compra dependeria de autorização do Legislativo, mas o prefeito decidiu fazer pela modalidade de desapropriação, que não precisa do nosso aval. Não me sinto enganado. Acho que ele quis agilizar o processo.”
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No paredão: O vereador Luiz Vergara (PSB) disse que vai exigir explicações do prefeito sobre a compra, concretizada sete dias depois da decretação de utilidade pública do imóvel para efeito de desapropriação. “Vou cobrar que ele envie para a Câmara cópia integral de todo o processo referente à aquisição, para fim de análise e providências. Também vamos pedir explicações ao Adérmis. O que a liderança promete, o prefeito não cumpre.”
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Alguém se habilita?: Cansado de ser para-raios, Adérmis colocou à disposição o cargo de líder do governo, ano passado. Não sabe se será substituído. Ninguém quer assumir o abacaxi.
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Tô fora!: O vice-prefeito Fernando Baldochi (PMDB) não disputará as eleições para deputado. Ele cuidará da coordenação da campanha regional de Paulo Skaf ao governo do Estado.
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Companheiro: Um amigo servidor ganhou R$ 300 de abono. Depositou R$ 100 na conta de Genoino, fará o mesmo para Delúbio e, certamente, para José Dirceu...
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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