Com Porsche em alta velocidade (116 km/h) engenheiro matou advogada e disse: ‘Estava nos planos de Deus’. O Brasil registrou mais de 42 mil mortes no trânsito em 2010. Cobramos duramente o cumprimento de seus deveres — fiscalização, engenharia de estradas, primeiros socorros e punição —, mas. descuidamos dos nossos. Dirigimos depois de beber e atropelamos nos julgando ‘ases no volante’, protegidos por forças superiores. A cultura da irresponsabilidade está impregnada no nosso DNA. Não abrimos mão de nossos prazeres (beber, falar ao celular, correr etc.) para privilegiar nossos deveres de cidadania e convivência coletiva. Estatisticamente, 75% dos acidentes derivam de falhas humanas. Nenhuma morte como ‘plano de Deus’ aparece na estatística.
O brasileiro é pacato, salvo na direção do veículo, na violência machista, na agressão de pais contra as crianças, nas ofensas aos idosos, nos estádios de futebol, nas manifestações... O Detran/SP, por exemplo, só investe 0,05% do dinheiro de multas em educação para o trânsito (Folha de S. Paulo de 01/08/12, p. C1). Conscientização, responsabilidade individual, noção de cidadania e espeito ao outro são soluções para menos mortes no trânsito. Quem já alcançou isso? Os países adeptos do capitalismo financeiro evoluído e distributivo — Dinamarca, Coreia do Sul, Noruega, Japão, Canadá etc. Colhem os bons frutos da educação universal, têm baixíssima violência e alta qualidade de vida.
Temos ojeriza a obedecer leis. Nunca imaginamos que o ‘vermelho’ é ‘vermelho’ para todos, ricos e pobres, pretos ou brancos. Concordamos que motoristas irresponsáveis sejam punidos, mas não observamos regras de trânsito. A possibilidade de acidente aumenta 23,2 vezes quando se digita uma mensagem ao volante (Valor Econômico de 30/03/12, p. D8). Trafegamos sem cinto de segurança, com luzes queimadas ou freios não revisados. Observar as leis no Brasil, como se diz, é coisa de gente idiota, tola.
Luiz Flávio Gomes
Jurista
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