Não se pode esperar mais


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As discussões dos últimos dias sobre as ações da polícia contra os ‘rolezinhos’ em shoppings ou durante a mais recente manifestação contra a Copa do Mundo no Brasil, no último sábado em São Paulo, estão desviando totalmente o foco do que deveria ser debatido com profunda seriedade. A violência urbana, que continua acuando cidadãos em todo o País, deveria ser o primeiro foco de qualquer discussão que possa ser priorizada neste momento. Afinal, não apenas as grandes cidades estão sofrendo este flagelo; a ação de bandidos começa a atingir municípios pequenos como a vizinha Restinga, que nos últimos 20 dias registrou duas explosões de bancos.
 
As ações deste tipo começaram há poucos anos, em cidades pequenas, onde quadrilhas especializadas invadiam bancos, faziam reféns e fugiam com o dinheiro. Já na época não apareceu qualquer pessoa que se interessasse em discutir o assunto com profundidade e buscasse soluções. Depois disso, as explosões de caixas eletrônicos começaram em grandes cidades e se alastraram para as pequenas. No final das contas, quem arca com o prejuízo são os bancos e seus correntistas. Desde o início, igualmente nada foi feito. Agora, marginais com armamentos pesados atacam de madrugada e deixam municípios em polvorosa, sem que exista uma solução capaz de detê-los.
 
A questão da violência, cada dia mais arraigada em nosso cotidiano, é um assunto que merece atenção redobrada, uma vez que ela só aumenta e não há quem seja capaz de propor uma solução. E esta passa, além do aprimoramento do sistema prisional brasileiro, por total reformulação de nosso Código Penal. Só quando o País tiver condições de julgar, condenar e conter os marginais que hoje atuam impunemente é que os cidadãos poderão respirar mais aliviados e saírem às ruas sem medo, sem atropelos e sem quaisquer receios.
 
A nossa realidade hoje é que ladrões, assaltantes e criminosos de maior grau de violência sabem que podem contar com a impunidade. Há muitos que entram e saem da cadeia no decorrer dos anos e não se assustam nem com a vigilância eletrônica, que hoje se torna mais disseminada. O instrumento da prisão em flagrante acaba deixando soltos criminosos que continuam agindo e escarnecendo de suas vítimas. Na maioria das vezes, nem confessando crimes graves e violentos estes bandidos são contidos. Dependem de um mandado judicial que acaba derrubado por advogados especialistas em encontrar desvios na lei.
 
Ao longo dos anos, os governos não se preocuparam em expandir o sistema prisional no mesmo ritmo do crescimento da marginalidade. Além disso, os órgãos de segurança continuam perdendo de longe, com contingente insuficiente, armamento ultrapassado e equipamento em condições precárias. O desleixo em relação a estes temas, que deveriam ser prioritários, mostra que dificilmente voltaremos a ter tranquilidade ao transitar pela rua e até dentro de nossas casas. Infelizmente não há sinais de que algo possa mudar a curto, médio ou longo prazo e reverter a situação a favor das pessoas decentes que moram no Brasil. 
 
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