Merenda escolar ganha depósito no Jardim Petráglia de R$ 3,3 milhões


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Área interna do antigo salão de festas Espaço Dom Pedro, comprado pela Prefeitura para guardar merenda
Área interna do antigo salão de festas Espaço Dom Pedro, comprado pela Prefeitura para guardar merenda
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) usou o cheque em branco concedido pelos vereadores e desapropriou o prédio onde funcionava o espaço de eventos Dom Pedro. Desde a semana passada, a casa de festas deu lugar ao depósito de merendas da Prefeitura. A compra, decidida por decreto e sem o aval da Câmara, foi feita com “porteira fechada”. Além do terreno com o barracão, o município adquiriu os bens móveis, como mesas, geladeiras, cadeiras e até botijão de gás. A negociação, foi feita em sigilo para evitar repercussão negativa, custou aos cofres públicos R$ 3.348.237
 
No dia 10 de dezembro, Alexandre Ferreira publicou decreto declarando como sendo de utilidade pública, para efeito de desapropriação, o prédio localizado na avenida Dom Pedro I, 970, Jardim Antônio Petráglia. Também integravam o pacote 800 cadeiras de ferro na cor branca, quatro carrinhos de cadeira, um aparador, uma geladeira comercial, seis geladeiras visa cooler cerveja, quatro mesas de granito/cozinha, 13 câmeras e DVR e suas respectivas instalações, ar condicionado, um fogão, uma coifa com a tubulação e um botijão de gás P4.5 completo.
 
O texto do decreto informava que, havendo acordo quanto ao preço e forma de pagamento, a desapropriação deveria ser efetivada, preferencialmente, por via amigável. O acerto foi rápido. No dia 17 de dezembro, um dia antes da assessoria do prefeito distribuir no plenário da Câmara um laudo de avaliação do imóvel, a escritura foi passada. 
 
Aparentemente sem saber que a compra já estava sacramentada, vereadores chegaram a reclamar do valor e se manifestaram contra. Mas, Alexandre Ferreira não precisava de autorização legislativa para fazer a desapropriação. Dois meses antes, em outubro, a própria Câmara permitiu ao prefeito fazer mudanças de R$ 34,8 milhões no orçamento fiscal. A justificativa era garantir o pagamento da folha de dezembro e o 13º salário dos servidores. Um dos artigos, porém, autorizava a aplicação de R$ 3,5 milhões na aquisição de imóvel. É o dinheiro que Alexandre usou para comprar o depósito para a merenda.
 
Foi a segunda vez que a Prefeitura fez desapropriação sob a justificativa de atender às necessidades da Educação. Há dois anos, o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) comprou por R$ 1,7 milhão o prédio do “esqueleto” localizado na entrada da cidade. O município gastará pelo menos outros R$ 9 milhões nas obras de reforma. O imóvel tem cinco andares e será a futura sede da Secretaria de Educação, pasta responsável por guardar e distribuir a merenda escolar.

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