Quando reclama dos políticos lá de Brasília você ouve ‘não reclame, o Congresso é a cara do Brasil, pois foi eleito pelo povo’? Eu ouço. Diz, nas entrelinhas, que é impossível ter governantes melhores do que o povo que os elege. São 81 senadores e 513 deputados federais. Eis o poucos sabem: todo candidato ao Senado indica dois suplentes para substituí-lo caso não possa exercer, renuncie, seja cassado ou morra durante o mandato de oito anos. São escolhidos de acordo com conveniências. O suplente do senador Edison Lobão, que deixou o cargo para ser Ministro das Minas e Energia, é Edison Lobão Filho. Em Bauru a gente chamava isso de coindecência.
Dos 81 senadores atuais, 16 são suplentes que não receberam mísero voto. Custam, cada um, R$ 30 milhões por ano. Aprovou emenda reduzindo dois suplentes a um e proibindo parentes de sangue, mas a suplência, continua.
É pior na Câmara. Só 35 dos 513 deputados federais foram eleitos! Os outros 478 chegaram lá pelo quociente eleitoral, com ajuda de ‘puxadores’ de votos. O ativo deputado Jean Wyllys (PSOL) foi eleito com 13.016 votos, puxado pelos 260.671 votos do deputado federal Chico Alencar... Tiririca (PR), o campeão de votos — 1.353.820 —, puxou Otoniel Lima (PRB), Protógenes Queirós (PCdoB) e Vanderlei Siraque (PT). Cada um deles teve entre 93 e 95 mil votos. Então, quem votou em Tiririca botou lá mais três que nem sabe quem são. Entendeu? 478 deputados federais, que custam, por ano, R$ 6,6 milhões cada um, não porque foram votados, mas pelos votos dados a outros. Resumo: quem escolheu 20% do Senado e 93% da Câmara não foram os eleitores, foi a lei que garante suplentes para senadores e o quociente eleitoral que distribui os votos. Então, não é como dizem. O Congresso não é a cara do Brasil! Não sei quanto a você, mas o Congresso que está aí não me representa. Que tal mudar?
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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