Pneus carecas, limpadores de pára-brisa quebrados, bancos sem encosto e esburacados, janelas quebradas, falta do cinto de segurança. Foi assim que os motoristas, que fazem o transporte escolar de cerca de 600 alunos que moram na zona rural de Restinga, encontraram os ônibus na manhã de ontem, 27. Segundo os trabalhadores, apenas quatro dos 12 carros tinham condições de operar. Diante da situação, os motoristas se recusaram a fazer o transporte, e parte dos estudantes perderam aula no primeiro dia letivo de 2014.
Indignados com a precariedade dos veículos, os motoristas dos ônibus escolares fizeram relatórios com a descrição dos problemas de cada carro. Porém, a Prefeitura de Restinga se recusou a receber o documento. “A Prefeitura não quis protocolar os relatórios. Então fizemos um boletim de ocorrência” disse o motorista Pedro Diogo da Silva Filho.
Outro motorista, José Donizete Genaro, disse temer transportar as crianças em veículos sem segurança. “É difícil levar as crianças, pois estou arriscando a vida delas e a minha. Os pais dos alunos estão ligando pra gente a manhã toda pois muitos não têm condições de vir pra escola se não for com ônibus escolar”, disse.
Segundo o prefeito de Restinga, Paulo Pitt (DEM), a manutenção dos ônibus não foi feita nas férias, pois o orçamento de 2014 não foi aprovado. “Com o decreto de abertura de crédito que saiu na última sexta-feira, a verba para fazer os reparos foi liberada e a situação vai se normalizar o mais rápido possível”, garantiu o prefeito. Pitt afirmou ainda que a frota do transporte escolar da cidade irá ganhar quatro ônibus novos em fevereiro: dois comprados com verba municipal e dois com verba estadual.
Câmara volta
Depois de funcionar por apenas duas horas por dia desde a última quinta-feira, 23, a Câmara Municipal de Restinga volta a operar normalmente hoje. Segundo o presidente da casa, Dejair Ferreira de Freitas (PMDB), o “Guim”, a prefeitura repassou ontem a verba aprovada pelo decreto de abertura de crédito extraordinário, publicado na última sexta-feira, 24.
A Câmara ficou sem receber o dinheiro, pois não aprovou o orçamento para 2014, proposto pelo prefeito, até a data limite de 31 de dezembro do ano passado. A casa alegou que a proposta tinha “irregularidades”.
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