Devoção por São Sebastião leva multidão para a serra


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Devotos carregam o andor com a imagem de São Sebastião durante procissão na semana passada
Devotos carregam o andor com a imagem de São Sebastião durante procissão na semana passada
Debaixo de sol forte, devotos de diferentes comunidades católicas da região participaram na última segunda-feira, 20, da tradicional procissão e missa de São Sebastião em Claraval (MG). A celebração foi realizada na zona rural em um local conhecido como Serrinha e reuniu cerca de 1,5 mil pessoas. 
 
A devoção ao santo padroeiro da humanidade contra a fome, a peste e a guerra estava estampada no rosto de cada um dos fieis. Gente simples, que levantou cedo e deixou todos os afazeres de lado para participar ativamente daquele momento de fé, que segundo os festeiros tem mais de cem anos de história. A procissão, em torno de uma mata, seguida de missa rezada pelos padres do mosteiro da cidade em um barracão foi às 11 horas.
 
O chamado para a celebração foi feito em um alto falante, enquanto o andor com a imagem de São Sebastião saía da modesta capela - dedicada a ele - carregado por homens e mulheres, devotos do santo.
 
Diferente das missas realizadas na cidade, muitos dos participantes estavam trajados com botas, camisa e chapéu e foram até o local em mulas e cavalos, que ficaram amarrados à sombra das árvores. Ao redor da capela diversas barracas de comidas, como de pastel, espetinho e cachorro quente foram montadas por comerciantes para servir quem se deslocou de longe.
 
Além de agradecimento, os fieis levaram com eles dois pedidos principais dirigidos ao santo: produtividade e fartura.
 
O produtor rural Eugênio Paceli, 66, disse que além de pedir, agradece a São Sebastião pelo ano passado e por ter livrado a lavoura das doenças. “Tenho muita fé no santo, então venho agradecer pela colheita do último ano e pedir proteção e chuva para esse ano que começou.” Se não bastassem as orações, sua mulher, a dona de casa Gláucia Galhardo Garcia, 52, preparou cinco frangos assados e uma porção de torresmo como doações para o leilão realizado após a missa. “A gente faz com muito gosto. Como lidamos com plantações e animais é a nossa forma de agradecer.”
 
Segundo o padre Mateus Resende, do mosteiro de Claraval, a festa em honra a São Sebastião no alto da serra tem origem remota e começou após um produtor da região ter sido atendido ao pedir ao santo para salvar a lavoura do forte sol e do enxame de gafanhotos que devoravam as plantações. “A festa é antiga, passa dos cem anos. Já a missa é realizada há 63 anos, desde a vinda dos cistercienses para cá.”
 
Peregrinação
O descolamento dos fiéis até o alto da serra onde ocorreu a festa não foi feito somente no lombo de animais ou em carros, que ficaram estacionados ao longo da estrada. Como parte da tradição, muitos foram caminhando em peregrinação. Esse foi o caso da dentista aposentada Lúcia Carvalho Piovesan, 75. Moradora em Franca, ela andou ao lado de outras 14 pessoas durante seis horas para participar da celebração. “É um sacrifício que vale a pena. Sempre tenho muito o que agradecer e também venho pedir força, já que São Sebastião é um santo guerreiro.”
 
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