Um Brasil cor de rosa


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O tão esperado discurso da presidente Dilma Rousseff, ontem, em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, causou estranhamento em muitos setores da sociedade brasileira. Para quem conhece o Brasil a fundo (e a plateia certamente já estava mais do que informada sobre o ritmo do País, que continua seguindo em marcha lenta), a presidente repetiu os discursos otimistas, totalmente descolados da realidade, que vem pronunciando desde quando tomou posse. Desenha e pinta um Brasil cor de rosa que não existe e insiste em pontos que, todos sabemos, não refletem a situação real.
 
Dilma Rousseff parece manter, mesmo em pronunciamentos oficiais como o de ontem, uma postura de candidata: manipula números e dados para mostrar que no Brasil a miséria inexiste, o povo samba feliz nas ruas e a economia vai de vento em popa. Mas quem vive aqui ou acompanha de perto o que acontece sabe que não é bem assim. A saúde vai mal, a educação não avança, a taxa de emprego não cresceu nos últimos doze meses, o PIB não decola, a inflação ameaça,a violência cresce em ritmo avassalador, a droga é um desafio e mesmo diante dos programas assistencialistas como Bolsa Família, há áreas de miséria absoluta.
 
Entretanto, contrariando fatos e dados, o governo vende um Brasil com educação pública de qualidade, enquanto os levantamentos (tanto internos quanto externos) apontam justamente para o contrário. A saúde pública também nunca esteve tão mal. Abandonada, a população mais carente se vê à mercê da sorte quando busca atendimento. O Programa Mais Médicos, assim como vários outros criados pelo governo petista ao longo dos anos, apresenta um viés eleitoral que causa questionamentos da parte mais lúcida da população. A saúde pública brasileira precisa de médicos, sim. Mas estes necessitam de estrutura para bem atender seus pacientes. A falta de investimento em equipamentos e espaços físicos é patente e vem crescendo nos últimos dez anos, desde quando o Partido dos Trabalhadores chegou ao Palácio do Planalto.
 
Dilma garante que a inflação está controlada, quando todos os dias comentaristas alertam para o perigo que ronda a economia. Temos ainda uma imensa carga tributária que acaba financiando a inchada máquina administrativa em todos os níveis (federal, estadual e municipal) e pouco reverte em benefício daqueles que pagam impostos. A cada ano, mais brasileiros recolhem impostos, mas não há uma contrapartida em termos de investimentos em serviços básicos. 
 
Por estas e outras é que todos se perguntam: onde está o Brasil cor de rosa descrito por Dilma e seus assessores no Exterior? Quando será que o governo federal abandonará o discurso e passará a agir no sentido de colocar o Brasil nos trilhos? A hora deveria ser a da ação que os discursos marqueteiros jamais poderão substituir.
 
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