Afim de quebrar o jejum, entro no bar do Bigode, cujo nome de batismo, Élsio, quase todo mundo desconhece. Levo susto: o amigo está depauperado. Preocupado, faço indagações.
- Que foi? Que abatimento, que cara de sono é essa? Está doente ou passou a noite no velório?
- Pior, muito pior. Você acredita que o cachorro do vizinho comeu o telefone celular da mulher dele?
- Uai, não entendi.
- Ah, é mesmo. Você não conhece minha vizinha. O cachorro latiu a noite inteira, só parou lá pelas cinco da manhã, quando acabou a bateria.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
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