Acompanhando a polêmica das feiras itinerantes nos centros urbanos, recordei-me dos antigos vendedores que circulavam nas cidades pequenas e bairros afastados das maiores com seus caminhões, peruas kombis, caminhonetes e até carrinhos de mão.
Havia os verdureiros, vendedores de pamonhas, de redes, alumínio, plásticos, refrigerantes e de bolachas. Bolachas? Correto, de bolachas. Era o meu preferido. Todas as tardes de sábados, um pequeno caminhão-baú circulava na minha cidade. Os verdureiros ainda circulam, os de pamonha também e de alumínios e plásticos é comum vê-los por aí. Vendedores de redes você esbarra neles e se torna difícil se livrar de seus generosos descontos. Mas, refrigerantes e bolachas, estes sumiram.
Os de refrigerantes (em garrafas de vidro, engradados de madeira e tampinhas metálicas com cortiça) berravam:
- Guaraná maçã, guaraná maçã. Eram de guaraná ou de maçã? Para a criançada que corria atrás do caminhão era guaraná maçã mesmo. E como eram saborosas.
Mas o meu preferido, como dito, era o bolacheiro. Sua voz aveludada atingia todo o quarteirão, e era assim:
- É o caminhão da bolacha. Maria, maisena, sequilho, salgadinho e recheada.
- Bolachas fresquinhas, seis pacotes só paga dez. Só paga dez.
- Dona Maria, traz a bacia, dona Conceição traga o caldeirão, dona Aurora traz a sacola, seu Chiquinho traga o carrinho.
- É o caminhão da bolacha. Maria, maisena, sequilho, salgadinho e recheada.
A propósito, os comerciantes daquela época também reclamavam.
Marcos Cason, leitor do Comércio
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