O ar está parado
Pesado de um almíscar pernoitado
Anuviado de um cigarro mal apagado
A espuma já murchou
A balbúrdia já cessou
Os lençóis estampam a brancura que não têm
E o riscado bolero silencia
Não há de ser nada
São só fios amarelos indiscretos
Que descaram e revelam
Espelhos tortos, almas torpes
Bobeiras, besteiras, bobagens
Lampejos de lucidez
Clareiam as memórias
Encharcadas em gim e tônica
Voltando a ser o que foram
Ainda sem saber o que são
Julia Moscardini, leitora
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