A morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, 25, depois da divulgação do laudo do IML (Instituto Médico Legal), deverá ter desdobramentos que, todos esperam, levem à punição dos responsáveis. O exame assinado pelo médico legista Mauro Tosi Maniglia aponta uma hemorragia interna como causa do óbito. Luara morreu no último dia 7, depois de passar oito vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e ser duas vezes internada na Santa Casa de Franca, onde foi submetida a duas cirurgias que teriam sido feitas por causa de uma suposta infecção urinária. No atestado de óbito fornecido pelo hospital, Luara teria morrido por causas naturais. O documento foi contestado por sua família, que registrou boletim de ocorrência de morte suspeita.
Depois da morte, o silêncio que tomou conta dos gestores da Santa Casa e dos que cuidam da saúde pública no município já deixava claro que havia algo muito errado. Um inquérito policial foi aberto para apurar o caso. O delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelas investigações, solicitou que fosse feita uma perícia no corpo de Luara para apontar o que teria causado sua morte. O resultado foi divulgado anteontem e publicado na edição de ontem do Comércio. E o laudo médico já contraria todas as informações dadas pela Secretaria Municipal de Saúde: o corpo de Luara não tinha indícios de infecção ou a presença de qualquer secreção purulenta (pus).
O médico legista relatou que dois terços do intestino dela haviam sido retirados por cirurgia assim como sua vesícula; inúmeros coágulos foram encontrados em seu estômago, fígado e intestino. O legista ainda afirmou que seus rins estavam em condições normais. Ou seja, não havia qualquer indício de infecção no órgão. O laudo reforça as suspeitas da família de que houve erro médico no atendimento da jovem.
Por isso, espera-se que o inquérito policial desta vez leve às reais causas da morte de Luara, depois de vários dias de agonia, consultas e cirurgias. Porque a conclusão do legista colide com os diagnósticos anteriores. É preciso que os médicos que atenderam a jovem expliquem não apenas a dificuldade nos diagnósticos e as razões para que órgãos que nada têm a ver com o sistema urinário tenham sido extirpados ou mutilados. Tanto a família da vítima, como a população que depende dos cuidados da saúde pública, merecem satisfações que não foram dadas até agora.
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), também gestor da Santa Casa, mantém-se calado, mutismo inexplicável para alguém em sua posição. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou a realização de uma investigação interna e não mais veio a público. Os médicos envolvidos também se calaram, enquanto a família continua chorando a morte de alguém que não tinha problemas de saúde antes daqueles fatídicos dias. O que se espera, quando se consulta um médico, é pelo menos um diagnóstico conclusivo e um tratamento adequado. Nada disso aconteceu com Luara. Assim, é desejo de todos que os responsáveis sejam identificados e punidos. Não pode cair no esquecimento um fato tão grave.
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