Tenho amigos que gostam muito dos ‘causos mineiros’ que, rotineiramente, conto em nossos encontros.
Alguns, já os reproduzi nestes textos de quinta-feira, aqui neste Comércio. Entre esses meus amigos, está o dr. Mauro Marangoni. É um dos que sempre me cobra um ‘casinho lá das Alterosas’.
Assim, hoje, quero retratar mais uma das deliciosas histórias (ou talvez estórias) do coronel Azarias José Lemos, um personagem lá de minha Passos, das Minas Gerais, exatamente da forma como me foi contada por seu filho, D. J. Lemos.
Consta que nos anos 20 e 30 do século passado, Passos já era uma próspera cidade a partir da exploração de atividades agrícolas, e pecuária em franco desenvolvimento.
Contava com vários coronéis e comendadores, residindo todos na tradicional Rua do Ouro, em casarões no estilo clássico.
Entre as personalidades de destaque da rua, estavam os coronéis Antenor Negrão e Azarias José Lemos. Eram vizinhos e amigos, mas não abriam mão de uma disputa ferrenha — mas, saudável — para saber quem era o mais rico, quem é que tinha a maior fortuna.
Os dois coronéis costumavam se encontrar para um bate papo descontraído nos finais de tarde, e a conversa rolava solta. Lá um dia, no horário habitual, coronel Antenor não apareceu.
Só chegou bem mais tarde, visivelmente esfregando o polegar contra o dedo indicador, naquele gesto tradicional de quem quer falar em dinheiro.
Após os cumprimentos de praxe, foi indagado sobre o motivo do atraso, já que se tratava de algo incomum. Antenor deu, então, sua justificativa: ‘atrasei, Azarias, porque hoje estou com os dedos doendo de tanto contar dinheiro.’
Cel. Azarias não se abalou. Com presença de espírito, retorquiu: ‘não se preocupe não, Antenor. À medida em que você for prosperando, melhorando de vida, você vai pegando o jeito’.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.