Os números positivos apresentados pela polícia de Franca e região no ano passado acabaram não encontrando a repercussão esperada. Acontece que a prisão de marginais que encheriam pelo menos quatro vezes o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca não representa a realidade da nossa Justiça. A detenção, mesmo que em flagrante, não garante que o criminoso seja segregado da sociedade. Na maioria dos casos, horas depois de lavrado o flagrante ele retorna às ruas, acuando a população, que se vê cercada pela violência e ameaçada até dentro de casa.
De acordo com dados da Delegacia Seccional de Franca, abrangendo 16 municípios, nunca se prendeu tanta gente. Números obtidos com exclusividade pelo Comércio, publicados ontem, revelam que as Polícias Civil e Militar prenderam 3.314 pessoas em 2013. O tráfico de drogas é a principal causa. Comparando-se com o ano anterior, houve aumento de 15%. Somente Franca concentra cerca de 90% das ocorrências. Ainda conforme a reportagem do Comércio, as prisões são resultados de 2.191 flagrantes, uma média de seis por dia, e de cumprimentos de mandados judiciais. Traficantes estiveram presentes em 852 ocorrências. Em seguida, aparecem os autores de furto e roubo. A última atualização, do dia 20, informa que hoje o CDP de Franca abriga 1.138 presos. A lotação só não é maior por causa das transferências, condenações, situações que ensejam fiança e casos de alvarás de soltura.
Para as autoridades, os números apontam para a redução de quase todas as modalidades de crime na região no ano passado. Um exemplo são os casos de homicídios, com queda de 38 para 24; apenas casos de roubo de veículos foram maiores. Por outro lado, não refletem a realidade em que vivemos atualmente. A violência é uma ameaça permanente para todos, trabalhadores, empresários e até autoridades. Se nem todos os que são presos permanecem encarcerados, a lógica indica que voltem a delinquir. A lei brasileira, branda demais, conta com uma série de instrumentos que acabam por beneficiar a maioria dos criminosos que são capturados.
Para a polícia, a causa da sensação de insegurança é a impunidade. “Os números mostram que a polícia trabalha, mas os bandidos não param na cadeia. Num intervalo de 15 dias, prendemos duas vezes uma mesma pessoa com um carro furtado. Aparentemente, até a Justiça está com as mãos amarradas”, comentou o delegado Márcio Garcia Murari, responsável pela DIG, a delegacia que tem a atribuição de investigar crimes de autoria desconhecida.
Somente a partir do momento em que o Código Penal Brasileiro passar a tratar com mais rigor os criminosos é que a sensação de insegurança da população poderá ser reduzida. Enquanto isso, o entra e sai dos marginais continuará mantendo um bando de criminosos nas ruas, ameaçando a integridade dos que pagam impostos. E são estes impostos que financiam a polícia e pagam os legisladores e o Poder Judiciário, os quais ainda não descobriram uma solução para este grave problema que continua atormentando os cidadãos.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.