Flórida acusa vereadores de não saberem em que votam na Câmara


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O petista Márcio do Flórida disse que os vereadores cumpriam determinações e não sabiam em que estavam votando
O petista Márcio do Flórida disse que os vereadores cumpriam determinações e não sabiam em que estavam votando
A Câmara realizou sessão extraordinária, ontem à noite, para votar em segundo turno projetos aprovados segunda-feira sem polêmicas. Por se tratar de mera ratificação, imaginava-se que seria um encontro rápido e sem discussões. O que se viu, na prática, foi mais um capítulo da interminável crise do Poder Legislativo de Franca. Chateado por ter emendas rejeitadas, o petista Márcio do Flórida disse que os vereadores cumpriam determinações e não sabiam em que estavam votando. A afirmação provocou a ira dos colegas, que o atacaram em bloco na sequência.
 
O motivo do entrevero foi o projeto que autorizava a contratação de um diretor-geral, justamente, para tentar apaziguar os ânimos internos da Câmara. Márcio do Flórida apresentou três emendas para alterar o texto original. Ele alegou que constavam ao diretor comissionado atividades a cargos técnicos, que são executadas pelos servidores concursados de setores específicos da casa. 
 
Nenhuma das sugestões foi aprovada, o que levou o petista a questionar os colegas. “Alguém sabe por que votou não? Não sabem o motivo, pois o voto foi direcionado. Não querem discutir. Votam por questões políticas.” Ele explicou que uma das emendas pretendia apenas corrigir distorção referente à forma de concessão de funções gratificadas. “O projeto ficou errado, capenga. Lamento que vocês tenham votado sem saber em que estavam votando”, arrematou Márcio do Flórida.
 
Foi o estopim para que recebesse uma série de críticas dos vereadores. “Repudio suas declarações. É um absurdo, falta de respeito”, disse Jépy Pereira (PSDB). “Não tem necessidade de criar este clima ruim. Você deixou o cavalo passar arreado ao não discutir o projeto antes da votação”, falou Laercinho (PP). “O apressado come cru. Sou responsável e voto como quero. Você tem que nos respeitar”, completou Marco Garcia (PPS).
 
Adérmis Marini (PSDB) disse que Márcio foi “infeliz” ao tentar impor sua vontade e lembrou comentário que ele fez no ano passado em defesa de José Dirceu. “O parlamento é soberano. Você usou a tribuna para defender mensaleiros presos por corrupção e não o julgamos. Tem que nos respeitar.” Valéria Marson (PSDB) foi a única a sair em defesa do petista. “Estou com vergonha do que está acontecendo. Isso não tem cabimento. O Márcio não está de todo errado, não. A emenda não foi colocada no nosso sistema nem distribuída aos vereadores.”
 
Discussões à parte, o projeto foi aprovado sem votos contrários. Jépy conseguiu aprovar emenda, estabelecendo que as advogadas, suas arquirrivais, fiquem subordinadas ao diretor-geral, que será de sua livre indicação. O nome mais cotado é o ex-secretário municipal Jerônimo Sérgio. “Que a paz retorne para reduzir o impacto negativo na nossa imagem”, disse Luiz Vergara (PSB), para completar com um comentário pessimista em seguida. “O projeto deve gerar, no mínimo, mais quatro ações contra a Câmara. Não vejo com bons olhos 2014.”

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