Desde o começo do ano, a ação de grupos de adolescentes em shoppings tornou-se o centro do noticiário e de uma série de teorias e explicações, a maior parte delas estapafúrdias, que tentam igualar os “rolezinhos” a manifestação cultural e acusar a repressão à balbúrdia como “discriminação”. Porém, até agora não apareceu quem tenha a coragem de colocar o dedo na ferida. Ao pôr em risco a integridade daqueles que frequentam os shoppings centers e as próprias lojas ali instaladas, estes movimentos têm que ser tratados como são: potencialmente perigosos e totalmente fora do contexto.
Em junho do ano passado, quando as manifestações por mudanças tomaram conta do País, estes mesmos que hoje defendem os “rolezinhos” e jogam para os donos de lojas o ônus do prejuízo, também se uniram contra a ação policial. Depois, houve a presença de grupos organizados como os “black bocs” que passaram a promover baderna e depredações, destruindo e saqueando lojas e agências bancárias. Aí, houve o silêncio. Com o arrefecimento das manifestações, o assunto acabou caindo no esquecimento.
Agora, as mesmas opiniões arrevesadas surgem com o advento dos “rolezinhos”. Não se nota qualquer preocupação com a defesa do patrimônio e com a integridade física dos que frequentam os estabelecimentos. Nas redes sociais, uma série de comentários mostra como é que muitos veem este tipo de evento. Alguns sugerem ‘rolezinhos’ em outros locais, como o hemocentro ou uma biblioteca. Ironias à parte, não se vê uma ação coordenada capaz de buscar o bem estar comum. Afinal, milhares de jovens fazendo filas no hemocentro para doar sangue não causariam o mesmo impacto que uma ação de confronto a autoridades.
O que se deve ressaltar, neste ponto, é que ações preventivas e repressivas devem ser tomadas para evitar que “rolezinhos” e “rolezões” não descambem para a baderna. O mais assustador nisso tudo foi a convocação que uma internauta francana fez para uma movimentação no próximo final de semana no Franca Shopping. Até a convocação ser retirada do ar, quase 300 pessoas já tinham confirmado a sua participação. Porém, o post era assustador: como apologia às drogas, convidava os participantes a levarem qualquer tipo de entorpecente. E vários outros estão seguindo o mesmo rumo.
Enquanto a polícia evita falar a respeito e os que comandam a segurança pública adotam uma postura bastante retraída quando o assunto é “rolezinho no shopping”, os frequentadores sentem-se acuados e órfãos. Não se pode impedir que jovens se reúnam, encontrando-se em grande número em locais públicos. Acompanhar a movimentação e impedir que ameacem clientes e lojas é dever da polícia e de seguranças. O que não se pode é subestimar um evento que causa preocupação e deveria ser observado mais de perto e com mais atenção. Diante da realidade a cada dia mais violenta a que estamos expostos, ver os “rolezinhos” atingirem uma dimensão fora de controle é o que menos se espera.
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