Nunca se prendeu tanta gente em Franca e região. Números obtidos com exclusividade pelo Comércio da Franca revelam que as Polícias Civil e Militar prenderam 3.314 pessoas em 2013. O tráfico de drogas é a principal causa. Comparando-se com o ano anterior, a produtividade cresceu 15%. Fazem parte do levantamento, as prisões ocorridas na área da Delegacia Seccional da cidade, estatística que abrange 16 municípios. Franca concentra cerca de 90% das ocorrências.
Não é pouca coisa. A quantidade seria suficiente para encher quatro vezes o CDP (Centro de Detenção Provisória), onde cabem 768 detentos. Isto, sem contar os 1,6 mil adolescentes apreendidos.
As prisões são resultados de 2.191 flagrantes, uma média de seis por dia, e de cumprimentos de mandados judiciais. Traficantes estiveram presentes em 852 ocorrências. Em seguida, aparecem os autores de furto e roubo. A última atualização, do dia 20, informa que hoje o CDP de Franca abriga 1.138 presos. A lotação só não é maior por causas das transferências, condenações, situações que ensejam fiança e casos de alvarás de soltura.
Para as autoridades, esta realidade se reflete na redução de quase todas as modalidades de crimes na região no ano passado. um exemplo é o número de homicídios, em queda de 38 para 24. Apenas casos de roubo de veículo foram maiores. O 15º Batalhão de Polícia Militar do Interior, sediado em Franca, foi o que obteve os melhores índices de diminuição de criminalidade na área do Deinter 3, formado por 93 cidades. 605 crimes “deixaram de ocorrer”, 573 em Franca.
Apesar disso, a estatística não reflete o sentimento das pessoas. A sociedade está cada vez mais refém dos criminosos e não se sente segura nem dentro de casa. Para a polícia, a causa da sensação de insegurança é a impunidade. “Os números mostram que a polícia trabalha, mas os bandidos não param na cadeia. Num intervalo de 15 dias, prendemos duas vezes uma mesma pessoa com um carro furtado. Aparentemente, até a Justiça está com as mãos amarradas”, comentou o delegado Márcio Garcia Murari, responsável pela DIG, a delegacia que tem a atribuição de investigar crimes de autoria desconhecida.
Assistente da delegacia seccional e responsável pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil, Daniel Paulo Radaeli defende a implantação de leis mais severas como forma de manter os criminosos mais tempo na cadeia. “Estamos enxugando gelo. Parece o cachorro que corre atrás do rabo. A nossa lei é frágil e dá margem a recursos diversos. O nosso sistema carcerário custa de R$ 4 mil a R$ 5 mi por preso/mês e não reeduca. É preciso endurecer o Código Penal e acabar com as benesses, como as saidinhas e os recursos protelatórios”, afirmou.

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