Rombo que não deveria se repetir


| Tempo de leitura: 2 min
Quando se trata de administração pública, o mínimo que se exige é transparência, principalmente em termos de gastos. O cidadão precisa conhecer o destino de todo o dinheiro de seus impostos. As Leis de Responsabilidade Fiscal e de Acessoà Informação foram dois avanços que impedem ao administrador gastar mais do que arrecada e mostrar aos seus eleitores, principalmente, onde investe as verbas à sua disposição. Evita o uso inconsequente de dinheiro público e a possibilidade de os cofres ficarem à mercê de aventureiros, sendo vilipendiados.
 
Ao esconder os números que envolveram a Expoagro 2013 (realizada em maio do ano passado), o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e a Secretaria de Administração tentaram evitar que o rombo de R$ 500 mil viesse a público. O Comércio só conseguiu acesso aos números praticamente oito meses depois do evento, com base no que prevê a Lei de Acesso à Informação. Mas não foi fácil: as recusas foram muitas e as desculpas maiores ainda. Apesar do requerimento apresentado por este jornal, a relação detalhada de custos e fornecedores da Expoagro 2013, a Prefeitura não informou como o dinheiro foi gasto. Enviou um ofício mostrando apenas o valor total.
 
É uma verdadeira afronta à legislação. A Prefeitura é obrigada a divulgar todos os números que envolvem suas ações, inclusive o pagamento de fornecedores. Bastante criticada, a Expoagro do ano passado foi um grande fiasco de público e de renda. Na época, os comerciantes instalados no recinto da feira já apontavam para os prejuízos que registrariam por causa da baixa frequência. Agora, a Prefeitura divulga que os 17 dias da Expoagro, que não contou com shows de artistas consagrados, provocaram um prejuízo de quase R$ 500 mil aos cofres municipais. O número diz respeito, na sua defasagem entre débitos e créditos, aos gastos com a parte técnica da feira e ao 1º Fest Cultura, organizado às pressas para amenizar as críticas da população insatisfeita com a falta dos tradicionais shows.
 
Aparentemente, a administração municipal pretende repetir a dose neste ano. Caso resolva retomar o esquema do ano passado, aquele que deletou o lucro de entidades organizadoras, e resolva manter as exigências absurdas que apresentou a um mês da edição anterior de Feira, vai repetir o papelão de 2013. Como feira eminentemente técnica a Expoagro não se mantém. E para contar com a presença do público, que movimenta o comércio no interior do Parque de Exposições ‘Fernando Costa’ e gera renda ao pagar ingressos, há que se pensar em shows. Sem banda ou artista de renome dificilmente os cofres públicos ficarão livres de nova sangria.
 
Neste contexto, o chefe do Executivo francano parece que ainda não entendeu que qualquer fracasso nesta área acaba representando déficit em outros setores, como saúde, educação e infraestrutura, pois as verbas vêm de um único lugar: os cofres públicos. Prejuízo de um lado implica prejuízo geral, já que a soma das partes é que faz o todo. É uma conclusão elementar, diria Sherlock Holmes. 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários