Câmara ressuscita cargo de diretor-geral em sessão extraordinária


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Não foi como Jépy Pereira (PSDB) havia planejado. Diante de uma batalha judicial com os servidores da Câmara, o presidente idealizou a criação de três cargos comissionados de diretoria para tentar controlar os adversários internos. Só conseguiu aprovar o de diretor-geral em sessão extraordinária realizada ontem. Mas, para isso, teve de aceitar acordo e abriu mão da meta principal, que era ter alguém para chefiar as advogadas.
 
Reeleito com o apoio irrestrito da maioria dos colegas de plenário em dezembro, Jépy não goza da mesma unanimidade junto aos funcionários da Câmara. A ação civil pública que tramita contra ele é assinada por nove servidores.
 
Na tentativa de ter os “rebeldes” sob controle e desengessar a administração, Jépy pretendia criar os cargos de diretores financeiro, jurídico e geral. O salário é de R$ 3,3 mil e a contratação feita por livre nomeação e exoneração da presidência. Antes mesmo da aprovação, ele já havia escolhido os ocupantes. Faltou combinar com os indicados e com os vereadores.
 
Opção para assumir a chefia das Finanças, Célia Maria Teodoro Falleiros disse “Não, obrigada” ao convite. Com a recusa, Jépy desistiu do cargo. Ele ofereceu o comando do Jurídico para Denílson Carvalho e Válter Zarur. Não poderá entregar a nenhum deles.
 
O vereador Márcio do Flórida (PT) apresentou uma emenda para que o cargo fosse excluído do projeto. Diante do risco de ser derrotado, Jépy aceitou acordo e desistiu da criação. “Tínhamos problemas técnicos e moral no projeto. Como criar um cargo de diretor para um departamento que tem apenas duas advogadas? Não tem o menor cabimento. Se a proposta fosse aprovada, certamente, seria contestada na Justiça”, disse Márcio.
 
Excluída a questão do chefe do setor jurídico, os vereadores aprovaram sem resistência a volta do diretor-geral. A função, que era ocupada por servidores da Câmara, foi extinta em 2008 por causa da acirrada disputa interna que havia.
 
Jépy disse não avaliar como derrota o fato de ter conseguido aprovar apenas um dos três cargos que havia planejado. “Na verdade, o primeiro interesse era o diretor-geral. Ficou de bom tamanho. Vejo como uma vitória completa. Vamos tentar, de agora em diante, acertar todos os pontos e melhorar o clima interno.” O ex-secretário municipal Jerônimo Sérgio Pinto é cotado para assumir a diretoria. 
 
Os vereadores torcem para que o ocupante do cargo possa minimizar os conflitos internos e tirar a Câmara do noticiário negativo. “Estamos judicializando o Poder Legislativo. Está ficando constrangedor vir trabalhar. É difícil explicar para o cidadão o que acontece aqui. Espero que possamos começar o ano com paz e harmonia”, disse Daniel Radaeli (PMDB). “O clima está ruim. Estamos nos esquecendo de representar o povo. Parece que a preocupação é querer ferrar o próximo. É preciso ter compreensão e parar com as ações”, completou Laercinho (PP). Como trata-se de criação de cargos, o projeto precisa ser votado em segundo turno na quarta-feira.

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