Ociosidade atinge milhões


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Um contingente de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais não trabalha nem procura ocupação -- e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego. Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Referente ao segundo trimestre de 2013, o dado brasileiro ajuda a ilustrar como, apesar das taxas historicamente baixas de desemprego, o mercado de trabalho mostra sinais de precariedade. Mesmo tirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 29,8 milhões de pessoas fora da força de trabalho, seja porque desistiram de procurar emprego, seja porque nem tentaram, seja porque são amparados por benefícios sociais.
 
Esse número supera o quádruplo dos 7,3 milhões de brasileiros oficialmente tidos como desempregados nas tabelas do IBGE — o que dá uma ideia de quanto o desemprego poderia crescer se mais pessoas decidissem ingressar no mercado e disputar vagas.Tudo isso mostra que os números oficiais estão bem longe da realidade vivida pelo País. É muita gente que poderia estar engrossando os setores produtivos, que vivem hoje uma dificuldade em encontrar trabalhadores, qualificados ou não. E a politica assistencialista governamental continua dando o peixe mas não ensina a pescar.
 
Exigir contrapartida dos beneficiados pelo Bolsa Família ou planos similares é necessária. Não apenas exigindo a presença dos filhos na escola. Deve, sim, buscar a capacitação deste enorme contingente de inativos, que vêem nos subsídios governamentais a única forma de subsistência. Não há movimentações do Poder Público para levar os beneficiários ao mercado de trabalho. E nem criar condições para que melhorem de vida, com obras de infraestrutura e de saneamento básico que faltam a milhares de comunidades espalhadas pelo Brasil.
 
Aqui se faz sempre o mais fácil: dê dinheiro e fica tudo bem. Porém, ainda vemos nossas crianças morrerem de diarréia. Ou brasileiros de todas as idades morrerem em decorrência da dengue. Nas redes sociais, uma manifestação mostra a realidade deste nosso País de paradoxos: temos estádios da Alemanha, saúde da Zâmbia, educação do Congo e transporte público da Índia. É uma realidade. Caso a visão assistencialista prevaleça, dificilmente este quadro poderá ser modificado.
 
Países que tinham uma visão assistencialista como a nossa precisaram modificar o foco para não criar uma geração de “encostados”. Dar dinheiro e cesta básica foi prática abandonada, por exemplo, nos Estados Unidos. Preferiu-se aplicar em educação, capacitação e tecnologia. O número de ociosos diminuiu, causando um impacto positivo ao levar um grande contingente a buscar a melhoria de vida no mercado de trabalho em vez de ficar esperando o dinheiro distribuído pelo governo. Hoje no Brasil muitos ainda evitam trabalhar para não perder o Bolsa Família. Se não o programa não for aprimorado, o contingente de desempregados só vai aumentar, mesmo que não conste dos índices oficiais.
 
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