Sob comando da Prefeitura, Expoagro 2013 dá prejuízo de quase R$ 500 mil


| Tempo de leitura: 3 min
O prefeito Alexandre Ferreira se recusa a falar sobre a Expoagro
O prefeito Alexandre Ferreira se recusa a falar sobre a Expoagro
A decisão do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de assumir a organização dos 17 dias da Expoagro 2013 e não realizar shows provocou um prejuízo de quase R$ 500 mil aos cofres municipais. A informação foi obtida com exclusividade pelo Comércio por meio da Lei da Acesso à Informação. O prejuízo se refere aos gastos com a parte técnica da feira e o 1º Fest Cultura, organizado às pressas para amenizar as críticas da população insatisfeita com a falta dos tradicionais shows.
 
Em 2005, assim que assumiu a Prefeitura, o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) decidiu que o poder público municipal não mais custearia a festa. Alvo de inúmeras investigações por parte do Ministério Público Estadual, as contas da Expoagro já haviam dado problemas durante a administração de Gilmar Dominici (PT). Para evitar confusões, Sidnei Rocha transferiu às Associações de Produtores Rurais do Paiolzinho e do Bom Jardim, as maiores interessadas no evento, a responsabilidade pela organização da Expoagro. 
 
Coube, então, a elas promover, ano a ano, uma espécie de licitação informal por meio da qual repassavam a organização da grade de shows para a iniciativa privada. O promotor de eventos que oferecesse o maior valor pelo direito de explorar a feira ganhava. Com lucro ou prejuízo, a responsabilidade era do vencedor. 
 
Com o dinheiro arrecadado, as associações custeavam a parte técnica do evento, que inclui as exposições e competições de animais e as palestras voltadas para os produtores. Assim, quem organizava os shows passou, então, a pagar os gastos com a parte técnica, o que proporcionou um enorme crescimento em número de animais expostos e competições na Expoagro. A Prefeitura estava isenta de qualquer gasto.
 
O sistema funcionou até 2012, quando o Ministério Público Estadual, entendendo que a Expoagro era um evento público realizado em espaço pertencente ao município, determinou que, para a escolha dos promotores de evento, fosse feita uma licitação formal por parte da Prefeitura. 
 
O problema é que, no ano passado, o prefeito Alexandre Ferreira deixou para publicar o edital da licitação com inúmeras exigências, muitas delas quase impossíveis de serem cumpridas (como a contratação de centenas de seguranças certificados pela Polícia Federal), a apenas dois meses da abertura da Expoagro 2013, o que inviabilizou a participação de qualquer grande promotor de shows. 
 
Sem interessados, o prefeito Alexandre decidiu que a festa não teria grandes atrações e resolveu que a Prefeitura reassumiria a organização do evento. No lugar dos artistas famosos que costumavam atrair bom público ao Parque “Fernando Costa”, Alexandre implantou o Fest Cultura, um festival cultural amador com artistas da região e que foi organizado de última hora. Sem os grandes promotores de shows para bancar a parte técnica, coube à Prefeitura financiar as exposições, palestras e eventos técnicos durante a Expoagro. 
 
Segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, com o Fest Cultura e a parte técnica, foram gastos pelos cofres municipais mais de R$ 447 mil.
 
Apesar do requerimento apresentado pelo Comércio com base na Lei de Acesso à Informação solicitando a relação detalhada de custos e fornecedores da Expoagro 2013, a Prefeitura não informou como o dinheiro foi gasto. Enviou um ofício informando apenas o valor total. 
 
O prejuízo só não foi maior porque a Prefeitura conseguiu apoio do governo do Estado durante um fim de semana. Um acerto com a Secretaria Estadual de Cultura permitiu que a Virada Cultural, patrocinada pelo governo estadual, fosse realizada em conjunto com a Expoagro. Os valores repassados pelo Estado não foram informados ao jornal.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários