Cachorros e gatos ‘de rua’ sofrem descaso e dependem de voluntários


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A empresária Sabrina Macedo, uma das fundadoras do grupo francano “Bicho Feliz”, que cuida de cachorros abandonados e tenta encaminhá-los para adoção
A empresária Sabrina Macedo, uma das fundadoras do grupo francano “Bicho Feliz”, que cuida de cachorros abandonados e tenta encaminhá-los para adoção
A causa dos animais abandonados e os maus tratos contra eles sempre geraram comoção. Há alguns dias um advogado encontrou, durante uma caminhada em Franca, três filhotes de raça mortos numa caixa na avenida Presidente Vargas. Esse não é um caso isolado. Diariamente dezenas de animais são deixados nas ruas, soltos ou presos por cordas em árvores, placas e portões. Muitos, agredidos, acidentados e sem nenhum cuidado, com fome e sede. Quase ninguém faz nada.
 
O Poder Público, que de acordo com a Constituição Federal deveria cuidar destes casos, fecha os olhos para o problema e o socorro aos animais passa a depender exclusivamente da boa vontade de voluntários. Atualmente, alguns dos mais atuantes fazem parte de um grupo virtual batizado de “Bicho Feliz”, com sete mil membros em uma rede social. Eles encaminham para atendimento em veterinários, adoção, abrigam, alimentam e dão carinho a gatos, cachorros, cavalos abandonados e tudo com recursos próprios.
 
É através deste grupo que cerca de 350 animais foram ajudados nos últimos 18 meses. Fundado pela empresária Sabrina Macedo e administrado por sete voluntários, o grupo do Facebook sobrevive com ajuda de outros apaixonados por animais e de campanhas como venda de rifas e bazares. “A obrigação deveria ser do Poder Público, porque para nós, protetores, animal abandonado é judiação, mas para a sociedade pode se tornar sério problema de saúde pública. Sem tratamentos eles causam doenças, acidentes e se tornam um risco à população”, afirma Sabrina, que tem em casa oito cachorros resgatados das ruas.
 
Sem nenhum programa de recolhimento de animais, seja da Prefeitura ou de ONGs, o “Bicho Feliz” acaba obrigado a prestar atendimento a eles. Desde agosto de 2013, porém, o grupo vem passando por dificuldades. Com casos graves de animais doentes e atropelados, os gastos chegaram a R$ 15 mil no mês e as receitas foram de R$ 8 mil. Com saldo negativo até dezembro, quando as dívidas foram quitadas, o socorro passou a depender de terceiros. Agora o trabalho vai ser reestruturado.
 
Os animais resgatados pelo grupo são encaminhados para lares provisórios ou vão para adoção, tudo feito via rede social. “Nós tentamos fazer a nossa parte, mas é impossível atender a todos. Infelizmente temos que escolher pelos casos mais graves”, afirma Sabrina.
 
Despreocupados
A culpa dessa situação, porém, não é só do Poder Público. Muitas pessoas, alheias ao sofrimento animal, os abandonam, deixam de castrá-los e por isso eles se reproduzam pelas ruas, o que faz com que o número não pare de crescer. Segundo dados do grupo francano “Bicho Feliz”, em 2010, Franca tinha cerca de 80 mil animais nas ruas, a maioria sem dono.

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