Nossa vocação


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O tempo litúrgico ‘comum’ inicia-se falando de ‘vocação’: a vocação dos profetas, de Jesus e a nossa vocação. Jesus tem uma ‘missão’. Meditemos sobre a Palavra de Deus. Os textos bíblicos reservados as celebrações eucarísticas de hoje são Isaías 49 (primeira leitura), a 1ª Carta aos Coríntios (segunda) 1 e João 1 (evangelho). 
 
Primeira Leitura — Isaías 49: Neste trecho comparece mais uma vez a figura do ‘Servo do Senhor’ de quem já falamos na primeira leitura da Festa do Batismo do Senhor. Hoje é apresentada sua vocação. Ele também foi escolhido por Deus desde o seio materno e é enviado para cumprir grande missão. Quem é ele? Os biblistas não sabem com exatidão. O primeiro versículo, parece, o identifica com Israel, escolhido para levar a luz e a salvação a todos os povos. É o estilo de Deus. Ele costuma servir-se de instrumentos fracos para realizar obras extraordinárias. O Servo é a imagem do verdadeiro Servo fiel ao Senhor, Jesus de Nazaré. Também ele trará salvação ao mundo mediante a morte na cruz, que os homens consideram sua maior derrota. Cumpriu a sua missão com o dom de si mesmo, sempre se colocando ao lado do derrotado, do oprimido. Esta ‘vocação’ se repete para cada um de nós e para todas as nossas comunidades.
 
Segunda leitura — 1ª Carta aos Coríntios 1: A primeira Carta aos Coríntios foi escrita por Paulo para responder problemas daquela comunidade. Paulo se apresenta como ‘apóstolo por vocação’. Diferentemente dos rabinos e dos mestres de seu tempo, não apela aos estudos que fez nem à sabedoria que acumulou ao longo dos anos. Reporta-se à sua vocação, ao chamamento pessoal que recebeu de Deus. 
Volta o tema da vocação da primeira leitura. Paulo foi escolhido para uma missão, foi chamado para ser ‘apóstolo’. Os cristãos de Corinto são ‘santos convocados’. O sentido da palavra ‘santo’ é ‘separado’, colocado de lado, reservado para Deus. Outro importante é a insistência de Paulo quanto à unidade que deve reinar entre os que acreditam em Cristo. A insistência sobre a unidade se deve ao fato que, depois da carta, ele enfrentará casos bem dolorosos de divisões dentro da comunidade, assunto que será tratado no próximo domingo. 
 
Evangelho — João 1: A primeira leitura apresentou a vocação do Servo do Senhor; a segunda, a de cristãos de Corinto. Já o evangelista João, ao invés de vocação, fala na missão de Jesus, e a figura que usa é a do Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo. Com isso, Jconfirma que Jesus veio para dar sua vida. Seu sangue liberta os homens do pecado e das forças do mal que conduzem à morte. Também o ‘Servo do Senhor’ é comparado a um cordeiro. É a imagem de Jesus que, com o sacrifício na cruz, se torna o Cordeiro pascal que destrói para sempre o pecado do mundo. Seu sacrifício traz aos homens, luz, salvação e paz. 
Encontramos também o Batista. O caminho espiritual que o precursor cumpre para chegar à descoberta de que Jesus é o Cordeiro de Deus, é o mesmo que os cristãos devem percorrer. Começa dizendo não conhecer Jesus. Deus o ilumina e, por sinais especiais, diz-lhe que é preciso ir undo na compreensão de Jesus. Abre por completo os olhos quando percebe que em Jesus está presente e atuante o Espírito de Deus. 
Também hoje nem todos se conduzem por sinais de Deus. Teimam na cegueira. Para esses, Jesus sempre será só um homem. Acreditar que ele é o Cordeiro implica mudança radical também na vida das comunidades. O último passo do Batista é o de reconhecer, em Jesus, o Filho de Deus. Fala do que viu. Cristãos deveriam falar só que viram. Deveriam narrar a obra do Espírito dentro da própria comunidade. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin 
administrador diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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