Alguém já disse que a situação ideal para a humanidade seria nascer velho e conforme o tempo passasse ir ficando mais jovem e experiente para poder usufruir a vida em toda a sua plenitude. O conceito pode ser aplicado ao universo empresarial. De cada cem empresas abertas no Brasil, 48 encerraram suas atividades em três anos. As dificuldades estão em gestão e falta de conhecimento do mercado, mas, acredito, é o País que não cuida de seus empreendedores. Temos uma das mais altas taxas de juros do mundo, câmbio perverso que facilita importações, e uma mais altas cargas tributárias do mundo.
Exportar produtos primários como soja, milho, celulose, açúcar e café, além de outras comodities não geram valor agregado e não contribuem para o desenvolvimento tecnológico da indústria, e é a indústria que gera empregos e dá autonomia ao País. Historicamente nossa geração de empregos nasce de empresários ousados que a despeito de tudo e de todos. Há exemplos de empresas geradas por técnicos capazes de dominar a tecnologia e fazer com que seus produtos enfrentam até multinacionais.
Na década de 90, o Brasil importava, de equipamentos e máscaras para proteção respiratória, US$ 16 milhões . Atualmente são só US$ 2 milhões. Do México para baixo, só o Brasil tem domínio tecnológico completo para a produção do tipo.
É fácil fechar os olhos para a desindustrialização, mas é difícil enfrentar as consequências. Não podemos nos tornar um país de representantes, um país de importadores. Não devemos ter vergonha de proteger nossos mercados, as nossas indústrias, uma vez que são elas que garantirão o emprego dos nossos filhos. O brasileiro precisa refletir para adquira produtos genuinamente nacionais como forma de garantir a sobrevivência de nossa indústria e de nossos empregos, assim como fizeram outros países como Coréia e Japão.
José Antonio Puppio
Diretor da Air Safety e autor do livro ‘Impossível é o que não se tentou’
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