Pedidos de seguro-desemprego sobem 25% em Franca


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Foto de arquivo mostra fábrica em Franca. Apesar do aumento nos pedidos de seguro, emprego está em alta
Foto de arquivo mostra fábrica em Franca. Apesar do aumento nos pedidos de seguro, emprego está em alta
A Gerência Regional do Ministério do Trabalho de Franca registrou um aumento de 25% no número de pedidos de seguro-desemprego no ano passado, quando comparado com o ano anterior. Em 2013 a média foi de 66 pedidos por dia, ante aos 53 registrados em 2012. O seguro, que oferece assistência financeira temporária, é garantido aos trabalhadores que foram demitidos sem justa causa, desde que tenham trabalhado com carteira assinada por pelo menos seis meses nos últimos três anos.
 
Ex-funcionários da indústria calçadista representam a maioria das pessoas que requerem o benefício. Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Fábio Cândido, o número de pedidos de seguro-desemprego não reflete a realidade das demissões no setor, que estão em queda. Ele explica que o trabalhador que recebe o seguro após ser demitido precisa trabalhar mais 16 meses antes de fazer uma nova solicitação, já que a legislação estabelece carência para o recebimento. Segundo Cândido, quem foi demitido e gozou do benefício em 2011 não pôde requerer o seguro no ano seguinte devido à carência. “Muitas pessoas que foram demitidas em 2012 não tinham o direito de receber o seguro, por isso, o número foi menor que em 2013”, ressaltou.
 
Nos oito primeiros dias de janeiro deste ano, 537 trabalhadores protocolaram o pedido de seguro-desemprego em Franca, uma média de 67 por dia. A sapateira Juliana Horuath, 30, foi um delés. Depois de trabalhar sete meses como coladeira em uma indústria, ela foi demitida. “Não foi a primeira vez. Estou desanimada porque a indústria não dá estabilidade para a gente. Vou procurar algo na minha área, que é técnica de enfermagem”, disse.
 
Insatisfeita com a demissão, a sapateira Andresa Cristina Oliveira Marques, 27, que pediu o seguro-desemprego na semana passada também pensa em mudar de área. “Eles (os patrões) acertaram com todos os funcionários. Vou receber o seguro, mas não volto para a fábrica. Cansei de trabalhar com sapato”, desabafou.
 
Segundo Cândido, demitir funcionários para não acumular férias e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) é uma prática “comum” adotada por algumas empresas e “combatida pelo Ministério do Trabalho”.
 
Sem pescado
Para garantir o atendimento na Regional do Ministério do Trabalho de Franca, o pescador profissional Valdeir Fernandes, 57, chegou bem cedo ao local: às 5 horas. O problema dele não é a demissão. Impedido de ganhar o sustento da família com a pesca por conta da piracema - período de reprodução dos peixes -, ele formalizou o pedido de seguro-desemprego. “A gente até faz uns bicos, mas não dá pra sobreviver. Esse salário extra que a gente recebe do governo é dividido para os meses em que não podemos pescar. E ajuda muito”, disse.

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