Debate, e não discussão


| Tempo de leitura: 3 min
Meu texto ‘Reaja, o tempo é precioso’, de 11 de janeiro, estimulou reações (leia em http://gcn.net.br/noticia/237529/opiniao/2014/01/reaja-o-tempo-e-precioso). Dentre os que se manifestaram através do e-mail luiz neto@comerciodafranca.com.br, ao portal GCN.net (abaixo da coluna tem um campo para comentários), por telefone ou pessoalmente (tem quem não gosta de expor publicamente suas opiniões), escolhi dois, Cláudio Antônio Borges, especialista em gente, ex-diretor administrativo da Sabesp de Franca e do Estadoo, ex-presidente da Associação Sabesp do Estado e atual da Associação Sabesp de Franca; e Roberto Pires Silveira, oficial de justiça do Fórum, que editou este Comércio por alguns meses na década de 70, comentarista recorrente da seção ‘Cartas’.  
 
Seus comentários refletem, certamente, suas experiências e crenças. Cláudio é racional, tem olhar macro, não partidário, aberto ao factual, exemplo do homo economicus. Roberto é emocional, pontual, partidário, o homo politicus. Ambos, Cláudio e Roberto, cada qual a seu modo, são importantes para o país melhor que temos que construir. Não escrevo hoje para responder-lhes. Como é a razão de ser da coluna, abro espaço para quem se interessar debater sobre o que anotaram. Quem tem algo a dizer, que o faça, como eles fizeram. Não dá é para ficar calado. Quanto a mim, continuarei cumprindo, com gosto, o papel de motivador social que ‘cutuca’ Cláudios e Robertos a que se manifestem e, mais que isso, que se tornem multiplicadores do que, entendem, seja seus papeis em prol da sociedade mais justa, equilibrada, consciente o suficiente para cobrar dos agentes públicos, ética, moralidade, verdade e justiça, mas abertos ao contraditório.
 
CLÁUDIO ANTÔNIO BORGES: ‘Acompanho sua coluna, todos os sábados. Nos duas últimas você foi, uma vez mais, corajoso e certeiro. Está coberto de razão quanto à ausência de solidariedade no mundo de hoje. Lembrei-me de uma frase, se não me engano, de Nelson Rodrigues: ‘mineiro só é solidário no câncer’. Nós, brasileiros, só somos solidários após desgraças e infortúnios. Reafirmo: só depois que acontece, assim mesmo, tem que ser grande o suficiente para tornar-se destaque na mídia. Já em ‘Reaja, o tempo é precioso’, foi provocante. Não retomaremos nossa condição de otários e reclamões pois nunca saímos dela! Precisamos praticar solidariedade cidadã, sair da ‘manada que segue o líder’ e formar uma legião por bons costumes, corajosa o suficiente para cobrar justiça, liberdade com responsabilidade, e verdadeiro amor ao coletivo, à Pátria. Todos nós, políticos ou não, temos que praticar obediência civil, ética, moral, honestidade, justiça, respeito, dignidade. Não há caminho diferente desse’. 
 
ROBERTO PIRES SILVEIRA: ‘Não sei quanto ao colunista, mas eu trabalho o ano inteiro, tenha ou não Copa do Mundo, carnaval, festas juninas, ou o diacho a quatro. Mais: tenho certeza de que a maioria imensa dos brasileiros faz a mesma coisa. Mas sei que deve ser gostoso ficar no gabinete com ar condicionado e chamar a maioria do povo de vagabundo, não é mesmo? Só tome cuidado o colunista para não dizer isso na frente de um brasileiro de verdade, pois corre o risco de enfrentar um revide. Quanto a mim, me sinto ofendido e respondo: não sou vagabundo e trabalho o ano inteiro. Quanto ao salário mínimo que compra 2,3 cestas básicas ao mês, eu sou velho o bastante para me recordar que época houve quando comprava apenas 1,3. Mas isso não interessa ao colunista revelar, não é mesmo? Afinal, é proibido informar qualquer coisa, mas qualquer (como diria Caetano) coisa boa sobre o atual governo, é ou não é? Tô de saco cheio com o partidarismo ser vergonha da mídia brasileira’.
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários