Talvez seja o canto das cores
Chegado de muito longe
Trazendo gotas de sol
Rocio de breves trinados
Mistérios da luz acordada
Na concha de meu ouvido...
Talvez alucinação da beleza
De algum céu em matinada
Aberta no espaço do vento
Do tempo suspenso em notas
Do verbo pousado em pautas...
Talvez eu mesma perdida
Entre armaduras - leves segredos de claves:
Chaves de sésamos que se abrem
Em grãos de fá, de si, de mi...
De sol, de ré, de lá... tão longe!
Entre bemóis e sustenidos
Sentidos sustentados
No tempo, no horizonte
Da distância tão presente
Na memória revisitada...
Talvez o lamento de estrelas
No mar da manhã esquecidas
Toques de sal
De sol de som de céu...
Vozes de longínquas almas
Em orvalho renascidas.
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
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