Uma cidade mal cuidada


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Quem acompanha o Portal GCN tem percebido que as reclamações contra o estado em que se encontra a cidade se avolumam. As críticas crescem também nos informativos da rádio Difusora e nas edições diárias do Comércio, principalmente na coluna Tô Puto, onde os cidadãos francanos enviam fotos do que consideram errado. E a falta de cuidados com a cidade é um dos principais pontos de queixas, por causa do lixo espalhado em diversos terrenos baldios (estes, aliás, também tomados pelo mato), as ruas esburacadas e a falta de cuidados com praças e logradouros. Tudo isso sem apontar fatos graves que se repetem na área de saúde pública e a falta de um esclarecimento para o transporte urbano, cercado de fatos obscuros.

Enquanto isso, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) usa sua página nas redes sociais, como o Facebook, para postar frases e textos de autoajuda. Até agora, mais de um ano após a sua posse, o chefe do Executivo francano não dá respostas efetivas para os problemas da cidade e não usa a excepcional ferramenta que tem em mãos para se aproximar dos cidadãos francanos, conhecer as suas reivindicações e as suas necessidades. Usa um canal legítimo de forma leviana, tal qual um adolescente alienado, e se torna motivo de chacota, críticas e protestos.

Até ontem, Alexandre Ferreira, que também comanda a equipe que administra a Santa Casa, não tinha vindo a público para se manifestar sobre a morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, 25, que morreu depois de uma lenta agonia, entre idas e vindas ao Pronto Socorro “Álvaro Azzuz” e à Santa Casa: após cerca de dez consultas com diferentes médicos, duas internações e duas cirurgias, morreu sem que ninguém explicasse as causas. O prefeito (e gestor da Santa Casa) calou-se. Médicos e autoridades também. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou uma investigação; mas, como o Comércio apontou em reportagem no final de semana, certamente não dará em nada além de suspensão ou advertência aos médicos da rede pública.

E assim segue a administração municipal, com um prefeito pouco avesso à transparência e ao diálogo. A cidade sofre com isso: os serviços de limpeza e manutenção andam a passos de tartaruga. Há dois anos, o panorama era opostamente diferente. As ruas estavam melhor cuidadas e a limpeza, principalmente nas calçadas e terrenos baldios, era digna de menção da parte dos que nos visitavam. Quando se fala na falta de experiência do prefeito, a situação atual serve de termômetro para isso.

Ao administrador público exige-se uma visão política ao lado da do gerente, do realizador. Para buscar soluções, como as que exigem os francanos, há que se preocupar nas 24 horas do dia com as condições de vida e bem-estar do cidadão. Afinal, o prefeito foi eleito pela maioria e não deve fechar os olhos aos problemas cotidianos. Alexandre Ferreira precisa, antes que seja tarde, buscar uma aproximação com seus munícipes e atender aos seus anseios. Ou seja, precisa agir de forma diametralmente oposta àquela que o tem perfilado até agora: como um líder e não como um burocrata.

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