A Polícia Civil irá instaurar um inquérito para apurar a autoria do incêndio criminoso que queimou parte de duas plantações de cana-de-açúcar do prefeito de Restinga, Paulo Pitt (DEM), em agosto do ano passado. De acordo com o laudo do Instituto de Criminalística, o incêndio que atingiu 67 hectares de cana das fazendas Pio XII e Mata do Fidalgo foi intencional - o que caracteriza crime ambiental já que a queimada da cana é proibida - e “nitidamente controlado”, uma vez que apenas talhões de cana em ponto de corte foram queimados.
O responsável pela Delegacia de Restinga, delegado Eduardo Lopes Bonfim, disse que o laudo do perito criminal Edmílson Martins demonstra que talhões de cana em estágio inicial de desenvolvimento, bem como mata nativa, próximos ao local incendiado foram preservados. “Inclusive, disse a perícia que o terreno estava úmido, o que nos leva crer que o incêndio foi controlado, justamente para que tanto a mata ciliar como plantações novas não pegassem fogo”, destacou Bonfim.
Amostras de cana queimada nas propriedades de Pitt foram enviadas para análise em dois laboratórios diferentes (Universidade Federal de São Carlos e Bioagri Alimentos).
Segundo a perícia, as duas análises comprovaram que a cana atendia aos requisitos para sua industrialização, podendo ser destinada para a produção de açúcar e etanol.
O laudo da perícia sugere que a queimada da cana não trouxe prejuízos significativos para Pitt, uma vez que “dependendo das condições para as quais estavam previstas a colheita daquela cultura, a antecipação dessa colheita e o uso do fogo podem ter sido até vantajosos”.
O laudo aponta que nas propriedades em que o incêndio foi provocado havia situações que contrariavam normas de prevenção e preservação ambiental. O documento se refere à largura dos aceiros, que isolavam as plantações de reservas ambientais ou de mata nativa, serem inferiores às determinadas pela legislação.
O delegado disse que encaminhará o laudo da perícia à delegacia Seccional de Franca, que ficará responsável pela investigação do crime e de sua autoria, já que envolve propriedade de um prefeito.
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